Não é preciso ser especialista para saber que a diversificação é importante. António, o mercador de Veneza de Shakespeare, dizia há quatro séculos: “Não tenho os meus bens confiados a um só casco, nem a um só lugar.” Todavia, desde a década de 1950, com os estudos de Harry Markowitz, que os benefícios da diversificação são estendidos tecnicamente ao mundo dos investimentos.

É uma má decisão ter a carteira concentrada numa só ação (ou num punhado pequeno de ações), mesmo que seja de uma empresa aparentemente sólida, como a EDP. Que o digam os acionistas do Banco Comercial Português ou da Portugal Telecom: os preços na bolsa desceram mais de 85% nos últimos cinco anos. Ou, pior, os antigos acionistas do Banco Espírito Santo, que viram o valor dos seus papéis a cair para zero.

Não há um número milagroso que indique o mínimo recomendado de ações diferentes. Há quem defenda 15 a 20 ações; há quem promova 30 títulos. É preciso bom senso: as carteiras têm de começar com poucos investimentos. À medida que o património cresce, o esforço de diversificação deve ser incrementado.

É crucial que as primeiras empresas selecionadas para o património atuem em negócios díspares. Se só investir na banca, é natural que a carteira sofra um terramoto da próxima vez que algum membro do setor financeiro passar por dificuldades acrescidas.