As bolhas financeiras, quando rebentam, são os maiores receios dos investidores. Mas não há razão para tanto medo. Se investir progressivamente, consegue abafar o efeito das bolhas e ainda aproveitar os preços baixos.

Apesar de, nos últimos 114 anos, as economias mundiais terem passado por duas Grandes Guerras, outras mais pequenas, uma Grande Depressão, várias crises financeiras e ainda mais crashes bolsistas, as ações mundiais renderam 5,2% por ano acima da inflação, em média.

Elroy Dimson, Paul Marsh e Mike Staunton, os académicos da London Business School que iniciaram o estudo de longo prazo das ações, avaliaram as perdas potenciais da bolsa no relatório de 2011 do Credit Suisse. “As ações dos EUA perderam, em termos reais, 79% entre o pico de setembro de 1929 e julho de 1932”, revelam. Foi o pior momento possível para os investidores norte-americanos.

Contudo, se os investidores estivessem a comprar ao longo do período, fariam aquisições a preços muitos deprimidos e, assim que a depressão passasse, o ganho seria substancial.

Na vida real portuguesa

A estratégia do investimento progressivo funciona através de aplicações de igual montante (ou crescente) em intervalos de tempo semelhantes. Pode, por exemplo, comprar 250 euros por mês num fundo de ações ou num fundo misto de ações e obrigações. Através da tática, os investidores compram algumas vezes a preços inflacionados (no auge das bolhas) e, outras vezes, a preços muito bons (no fundo das depressões). Como, no longo prazo, as ações sobem, então o resultado da estratégia deve ser positivo.

O Observador simulou o resultado de um investimento trimestral de 500 euros num dos fundos de ações mais antigos gerido em Portugal, o BPI Europa. Os 500 euros aplicados em meados de março, junho, setembro e dezembro de cada ano desde o verão de 1991 acumulariam um património superior a 142 mil euros. O capital aplicado, 91 mil euros, teria capitalizado a uma taxa anual líquida de impostos e comissões de 4,2%.

A escolha do BPI Europa pelo Observador deveu-se apenas à sua antiguidade. Repare que os analistas de fundos não o recomendam (a Morningstar atribui-lhe duas em cinco estrelas e a Proteste Investe aconselha a venda). Se tiver o máximo de cuidado com os seus investimentos, não há razões para o seu resultado não ficar mais perto dos 5,2% apregoados por Dimson, Marsh e Staunton, da London Business School.