Em teoria, as ações são os ativos que mais se apreciam: como refletem o andamento das economias, os títulos valorizam-se se houver crescimento económico. Na prática, a teoria confirma-se: embora no curto prazo haja flutuações, muitas vezes bruscas, no longo prazo, as ações são os investimentos financeiros mais rentáveis.

A unidade de investigação do banco Credit Suisse publica, anualmente, um estudo sobre o desempenho de longo prazo dos principais ativos: ações, obrigações e Bilhetes do Tesouro. A edição de 2014, publicada em fevereiro, reforça o que já se sabia: as ações bateram a concorrência, por uma larga margem.

Enquanto as ações mundiais renderam 5,2% por ano acima da inflação desde 1900, as obrigações ganharam 1,8% e os Bilhetes do Tesouro norte-americano 0,9%. Portugal, incluindo pela primeira vez no estudo, não destoa: a bolsa portuguesa acumulou 3,7% acima da inflação nos últimos 114 anos, enquanto as obrigações registaram uma rentabilidade real de 0,6% por ano e os Bilhetes do Tesouro um desempenho anual negativo de 1,1%.

Contraste de longo prazo

A diferença entre ganhar 5,2% ou 1,8% por ano acima da inflação é brutal. Um casal que, a partir do zero, comece aos 26 anos a poupar cerca de 640 euros por mês, chegará à idade de reforma milionário, ganhando 5,2% por ano em ações. No entanto, se for conservador e investir em obrigações, o capital não chegará a 450 mil euros aos 66 anos.

Investir no mercado acionista não é para todos, como mostraram o colapso do Banco Espírito Santo e a desvalorização recente da Portugal Telecom. A maioria deve entregar o seu dinheiro a gestores profissionais, através de fundos de investimento. Regra geral, paga-se pouco para ter o dinheiro diversificado e gerido por pessoas dedicadas ao mercado.

As ações devem ser sempre aplicações de longo prazo. Para garantir que não mexe no dinheiro, é fundamental que tenha um fundo de emergência a postos, caso aconteça um imprevisto na sua vida.