A Força Aérea portuguesa divulgou as fotografias das duas aeronaves russas intercetadas na quarta-feira em águas internacionais a noroeste de Portugal. Trata-se, como já se suspeitava, de dois bombardeiros Tu-95 “Bear”, de nacionalidade russa, explica a Força Aérea em comunicado.

“Após realizado o reconhecimento visual, as aeronaves foram identificadas como sendo Bombardeiros Tu-95 “Bear”, de nacionalidade russa, que, entretanto, mudaram o rumo para norte, tendo sido escoltados até à sua saída do espaço aéreo de responsabilidade nacional”, diz a Força Aérea (FA).

O incidente começou na quarta-feira, quando o Sistema de Defesa Aérea detetou duas aeronaves não identificadas na zona noroeste de Portugal. Segundo a FA, “voavam alto, rápido e sem comunicações com o Controlo de Tráfego Aéreo”. Daí que tivesse sido tomada a decisão de pôr em ação dois caças F-16 portugueses, ao serviço da NATO, que acabaram por intercetar, identificar e escoltar os dois aviões militares russos para fora do espaço aéreo de responsabilidade de Portugal.

O Centro de Relato e Controlo da FA reportou de imediato para a estrutura militar NATO da qual depende, tendo sido decidido ativar a parelha de aeronaves F16 Fighting Falcon, em alerta na Base Aérea de Monte Real, para intercetar e identificar as aeronaves, explica a Força Aérea.

Mas o incidente diplomático não se registou só em Portugal. Na quarta-feira a NATO já tinha dito, em comunicado, que tinha “detetado e controlado quatro grupos de aviões militares russos a realizarem manobras militares significativas no espaço aéreo europeu” esta semana.

A operação mobilizou aparelhos de três países da NATO – Portugal, Noruega e Reino Unido – após a detenção de um grupo de oito aviões russos – quatro bombardeiros e igual número de aeronaves de reabastecimento – a voarem em formação sobre o Atlântico. Seis das aeronaves alteraram as rotas, mas dois outros, bombardeiros Tupolev-95, não alteraram o percurso, levando aparelhos da força aérea britânica a descolarem para os escoltar até serem entregues à Força Aérea Portuguesa, igualmente para escolta, no espaço aéreo português.

Os outros aviões russos foram controlados pelas forças britânicas e norueguesas.

Segundo a NATO, os aparelhos russos não tinham apresentado planos de voo, não estabeleceram qualquer contacto com as autoridades de aviação civil e não corresponderam às comunicações, o que “representa um risco potencial para os voos civis”.