Entre ações portuguesas, Certificados de Aforro e Obrigações do Tesouro, foram as últimas que mais renderam na década entre 2003 e 2013, calcula a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a entidade reguladora e supervisora do mercado português de capitais.

“Por cada euro aplicado em Obrigações do Tesouro no final de 2003, um investidor teria obtido uma rendibilidade acumulada de 73,7 cêntimos se tivesse mantido o investimento por um período de 10 anos, correspondendo a uma rendibilidade real (expurgando o efeito do crescimento generalizado dos preços) de 42,2 cêntimos”, refere o relatório anual sobre os mercados publicado na semana passada.

Nesta terça-feira, as Obrigações do Tesouro que se vencem em dez anos (a maturidade usada pela CMVM no estudo) apresentam taxas de rendibilidade anual até ao vencimento de 3,3%.

A replicação do índice PSI 20, que reflete o andamento bolsista das principais empresas cotadas nacionais, teria gerado um prejuízo médio anual de 0,5% entre 2003 e 2013, mostra o estudo da CMVM, mas, ao incluir o reinvestimento dos dividendos, passaria a uma rendibilidade anual de 3,3%. O supervisor alerta que os cálculos não incluem impostos e outros encargos.

Atualmente, Portugal Telecom, Portucel e REN são os membros do PSI 20 com as mais altas taxas de dividendos, segundo o Financial Times, que usa informação da Thomson Reuters.

OT, PSI-20, Certificados de Aforro

Apesar de terem rendido menos, os Certificados de Aforro são menos voláteis, mostra o estudo da CMVM.

Na última posição da lista da CMVM ficaram os Certificados de Aforro: “um investimento de um euro em Certificados de Aforro teria gerado um retorno de 23,6 cêntimos (que corresponde a um poder de compra real de 1,2 cêntimos)”, menciona o relatório.

Portugueses ganham 33% em dez anos

Além de calcular o retorno dos principais ativos, a CMVM simulou a rendibilidade da carteira média dos investidores particulares portugueses. “Um investidor que tivesse aplicado o montante de 100 mil euros no final de 2003 em depósitos a prazo, Certificados de Aforro, títulos do Tesouro e ações, numa carteira correspondente à estrutura dos patrimónios financeiros (ativos) do segmento de particulares no ano de 2003, obteria no final de 2013 o montante de 133.471 euros, o que corresponde a uma taxa média de rendibilidade anual de 2,9%”, resume o regulador.

Nestas contas, a CMVM utilizou os valores dos patrimónios das Contas Nacionais Financeiras para o segmento de particulares divulgados pelo Banco de Portugal.