“É duplamente difícil perceber como uma pessoa como tu, a mais diferente, o mais belo ser humano, escolheu amar-me”, escreveu Marilyn Monroe numa carta de amor endereçada a Arthur Miller, o seu terceiro e último marido. Esta e outras cartas fazem parte de a coleção “Marilyn Monroe’s Lost Archives”, com mais de 300 itens privados daquela que é um dos maiores símbolos da história do cinema e que vai ser leiloada no próximo mês em Beverly Hills.

As cartas de amor trocadas com a lenda do basebol norte-americano, Joe DiMaggio, e com o dramaturgo Arthur Miller são os grandes destaques da coleção. Os documentos mostram uma mulher frágil, insegura, com muita carência afetiva e que vivia sufocada pela sexualização da sua imagem, quando apenas queria ser reconhecida pelo seu trabalho como atriz.

Na série de cartas trocadas com Miller pode ler-se o artista a elogiar a nobreza de Monroe em lidar com o facto de ter tido uma infância difícil e, depois, com o estrelato e com a adoração quase obsessiva do público. Marilyn então responde: “Não tinha outra escolha a fazer, essa estrada esteve sempre diante de mim. Por isso, quando falas na minha nobreza… Eu não fui assim tão nobre”.

Mas antes de Miller, Marilyn Monroe foi casada com Joe DiMaggio, cuja paixão pela estrela de cinema foi sempre assumida publicamente, mesmo depois da separação: a relação foi intensa mas breve – casaram em 1951, o divórcio chegou apenas três anos depois. Nas cartas agora reveladas podem ler-se os pedidos de perdão de DiMaggio, que queria a todo custo salvar o casamento.

“Eu amo-te e quero estar contigo. Não há nada que eu mais queira do que recuperar a tua confiança em mim”, escreveu o jogador de basebol, que tinha descoberto a decisão de Marilyn de o deixar quando ela fez o anúncio na televisão. “O meu coração fica ainda mais destroçado quando te vi a chorar em frente aquelas pessoas todas”, revelou DiMaggio.

“É fantástico ver o quão amada ela foi. É comum pensar-se que ela era vulnerável, não-amada, que ansiava por amor e por afirmação. Mas ela teve isso. Ela teve-o com Joe DiMaggio. Ela teve-o com Arthur Miller”, afirmou o curador do leilão Martin Nolan que demorou nove meses a organizar e catalogar a coleção.

Marilyn Monroe morreu de overdose em 1962, com 36 anos, e deixou os seus artigos pessoais ao seu mentor Lee Strasberg, que depois os entregou a uma pessoa de confiança – que permanece anónimo. Agora, o dono do leilão, Darren Julien estima que a iniciativa possa render mais de um milhão de dólares e que trará visitantes de todo o mundo.