O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, pediu hoje à Ucrânia para permanecer “fora de qualquer bloco”, numa referência evidente à Aliança Atlântica.

“Sem dúvida nenhuma, é muito importante que [a Ucrânia] permaneça fora de qualquer bloco não só para reforçar a estabilidade da zona euro-atlântica, mas também no âmbito dos seus interesses nacionais”, declarou o chefe da diplomacia russa, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo húngaro, Peter Szijjarto, em Moscovo.

Algumas horas antes destas declarações de Lavrov, o porta-voz do Kremlin (sede de Presidência russa), Dmitri Peskov, tinha pedido garantias de que a Ucrânia não vai integrar a NATO. “Gostaríamos de ter 100% de garantias de que ninguém está a considerar a entrada da Ucrânia na NATO”, afirmou Peskov, em declarações à estação britânica BBC. O porta-voz acrescentou que Moscovo também queria que a NATO parasse com a aproximação às fronteiras russas e “com as tentativas de quebrar o equilíbrio de forças”.

Por seu lado, Kiev denunciou hoje as pressões exercidas por Moscovo em relação a esta matéria. “Recordo aos meus colegas russos de que a Ucrânia é um Estado independente e soberano”, escreveu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Evguen Perebyinis, numa mensagem na rede social Twitter.

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“Não precisamos de controladores e, principalmente, não aceitamos pressões sobre estas questões”, acrescentou. As autoridades ucranianas têm manifestado por diversas ocasiões a sua vontade de aproximação à Aliança Atlântica.

O número de ucranianos que defendem a adesão do país à NATO atingiu este ano quase os 44%, contra os 13% registados em 2012. O inquérito já foi realizado depois da anexação russa da península ucraniana da Crimeia e do conflito armado com os separatistas pró-russos na região leste do território ucraniano.