O presidente do governo regional da Catalunha, Artur Mas, disse estar disponível para realizar eleições antecipadas, afirmando ainda que o escrutínio deve ser unicamente centrado na questão da independência daquela região. A intervenção de Artur Mas era aguardada com grande expectativa, uma vez que se esperava que o líder regional anunciasse os seus planos após a consulta popular sobre a independência da Catalunha, realizada no passado dia 9 de novembro.

Perante uma plateia de cerca de 3 mil pessoas, incluindo autoridades, dirigentes políticos e representantes dos setores económico, cultural e social, Artur Mas defendeu a criação de uma lista única de candidatos “transversal e forte” que integre os partidos favoráveis à autodeterminação, mas também representantes da sociedade civil e de outros quadrantes políticos. Sem fixar uma data e apelando à unidade dos partidos favoráveis à autodeterminação, Artur Mas explicou que o escrutínio irá eleger um mandato de 18 meses, período necessário para lançar o processo para a criação de um Estado catalão independente.

A 9 de novembro, 2,3 milhões de pessoas participaram numa consulta sobre a independência da Catalunha, depois de o Tribunal Constitucional ter proibido, a pedido do Governo de Madrid, a realização de um referendo. Segundo dados finais, 80,76% dos votantes apoiaram que a Catalunha seja um Estado e que seja um Estado independente.

O Ministério Público espanhol acusou entretanto Artur Mas e a vice-presidente catalã, Joana Ortega, de desobediência grave, abuso de poder, prevaricação e de desvio de fundos por terem “sobreposto a visão partidária” à suspensão determinada pelo Tribunal Constitucional.