“O meu papel é a união de todos, porque quando a França está numa situação como a atual, uma situação económica catastrófica, não temos o direito de nos dividirmos”, defendeu Sarkozy, no programa informativo de maior audiência da televisão francesa, na primeira entrevista concedida depois de ganhar a eleição de presidente da UMP.

O antigo chefe de Estado francês disse igualmente que não tenciona dirigir “sozinho” a grande formação partidária da direita francesa e que vai propor aos ex-primeiros-ministros que o ajudem, a começar por Dominique de Villepin. Esta ideia inclui dois dos que agora se perfilam como seus potenciais concorrentes na candidatura da UMP às eleições presidenciais francesas de 2017, Alain Juppé e François Fillon, mas também Jean-Pierre Raffarin.

Sarkozy insistiu em que a sua equipa no partido “representará todas as sensibilidades políticas” e que o principal objetivo é oferecer aos eleitores uma alternativa, “para que não tenham de escolher” entre o atual chefe de Estado, o socialista François Hollande, e a líder de extrema-direita da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen.

“O nosso dever, sejam quais forem as nossas ambições, é unirmo-nos para permitir uma alternância”, reiterou.

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Depois de se referir à situação económica do país, disse que “a imigração está hoje fora de qualquer controlo”, que “há que encontrar novas ideias” que não sejam nem as de fechar as portas, como quer Le Pen, nem as de “continuar de braços cruzados” do atual Governo.

O ocupante do Eliseu entre 2007 e 2012 voltou a garantir que “haverá primárias” em 2016 para as presidenciais de um ano depois e que estas serão abertas, de modo a que possam também participar aqueles que designou como “os nossos amigos centristas”.

Inquirido sobre como limpar a má imagem do partido devido ao escândalo Pigmalião, sobre o presumível financiamento irregular da sua campanha presidencial de 2012, respondeu recordando que já tinham tentado envolvê-lo noutro caso judicial, o da milionária Lilliane Bettencourt, e finalmente o processo contra si foi arquivado. O que concluiu, indicou, é que há que manter a calma, “deixar que a justiça faça o seu trabalho, e talvez ser mais respeitador da presunção de inocência”.

Quanto à sua vitória de sábado na eleição para a presidência da UMP, com 64,5% dos votos dos militantes, uma percentagem claramente inferior ao que se esperava, ironizou, dizendo que não obteve “100%, como Marine Le Pen”, a presidente da FN, que foi reeleita hoje no congresso do seu partido por unanimidade, sem que outro candidato se tivesse apresentado a votos.

Sarkozy, de 56 anos, congratulou-se com o facto de, na UMP, a direção “não ser hereditária”, como na FN, e declarou que a sua “ambição é criar um partido moderno, no qual os militantes possam dar a sua opinião”.