O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou nesta sexta-feira que a reforma das Forças Armadas permite retomar “uma lógica de reinvestimento” que vai refletir-se na nova Lei da Programação Militar (LPM), contribuindo para a modernização dos três ramos.

Em conversa com jornalistas na base de Beja, o responsável pela pasta da Defesa explicou que a linha política seguida nos últimos anos “na zona ocidental do mundo”, que dava a segurança e a defesa como “quase um bem adquirido”, mudou e é preciso “parar a diminuição dos orçamentos”.

“O importante é que hoje há uma consciência de que é necessário cuidar da segurança e da defesa para assegurar a harmonia entre as nações e para assegurar condições para o desenvolvimento, o bem-estar e a felicidade das nações”, afirmou.

Questionado sobre a nova Lei da Programação Militar, que não é revista desde 2009 e deve ser conhecida até ao fim do ano, Aguiar-Branco aproveitou para sublinhar o “caderno de encargos” que encontrou quando assumiu a tutela da Defesa Nacional, em 2011.

“As pessoas às vezes acham que é demais referirmos isto mas eu não acho, porque há três anos as preocupações que eu tinha como ministro da Defesa Nacional era a possibilidade de assegurar os salários até outubro, foi este o caderno de encargos que me foi deixado, era o que eu tinha em caixa”, notou. O ministro considera que as Forças Armadas deram “um exemplo” e levaram a cabo “uma reforma estrutural” que permite “retomar uma lógica de reinvestimento”.

José Pedro Aguiar-Branco disse ainda que aguarda uma proposta dos chefes militares, mas assegurou que a LPM vai modernizar os equipamentos da Marinha, da Força Aérea e do Exército. “Se desejava ter ainda mais? É evidente que é sempre melhor ter mais, mas demos o exemplo com os meios de que dispúnhamos, com a racionalização que fizemos, com a reforma estrutural que fizemos, com rácios mais equilibrados entre o que se gasta com pessoal e o investimento, estamos hoje em melhores condições do que estávamos há três anos”, considerou.

Acompanhado pelas chefias militares, o governante sublinhou que Portugal tem procurado responder às novas diretas da NATO decididas na cimeira realizada no País de Gales e que apontam para um aumento para 2% do PIB nas despesas militares e uma maior prontidão operacional dos contingentes.