Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa alvejada na cabeça por defender no seu país o direito das raparigas a frequentarem a escola, voltou a usar a sua notoriedade, neste caso, a entrega do prémio Nobel da Paz – que recebeu esta quarta-feira em Oslo – para questionar o porquê dos países “chamados fortes e poderosos” darem armas com tanta facilidade, mas não conseguirem dar livros às crianças.

No seu discurso perante centenas de pessoas, a paquistanesa que agora vive no Reino Unido por questões de segurança – ainda é procurada e ameaçada por talibans -, mas viaja por todo o mundo para promover o Fundo Malala que ajuda raparigas a terem acesso à escola, brincou com o facto de ser possivelmente a única pessoa na história da entrega dos prémios Nobel que ainda luta com os irmãos em casa e que, apesar de promover a paz no mundo, é difícil fazer o mesmo em casa.

Malala, que recebeu o prémio em conjunto com o indiano Kailash Satyarthi – que como lembrou a jovem luta pelos direitos das crianças na Índia há mais tempo que o dobro a sua idade -, disse que representa “as 66 milhões de raparigas que não podem estudar”, propondo aos líderes mundiais que um dos próximos objetivos do milénio (que estão agora a ser redesenhados para o pós-2015) seja “a educação primária e secundária livre e gratuita” para todas as crianças do Mundo.

“Queridos irmãos e irmãs, o mundo dos adultos até pode perceber isto, mas as crianças não. Porque é que os países chamados fortes são tão poderosos a criar guerra mas tão fracos a criar a paz? Porque é que dar armas é fácil e dar livros é difícil? Porque é que fazer tanques é tão fácil, mas construir escolas é tão difícil?”, apelou Malala em Oslo.

A jovem disse ainda que “se vivemos numa altura em nada é impossível” e “se em breve poderemos aterrar em Marte”, o século XXI é a altura de transformar “o sonho da igualdade na educação” numa realidade “para todos”.