Seis candidatos disputam esta sexta-feira em eleições diretas o lugar de Alberto João Jardim à frente do PSD/M e marcam o fim do jardinismo. Uma coisa é certa: dificilmente haverá um candidato que ganhe as diretas à primeira volta e tudo leva a crer que a disputa se fará entre Miguel Albuquerque e Manuel António Correia. Mas pode haver surpresas. De acordo com os estatutos do PSD/M, o novo líder é eleito com 50% mais 1 voto do total expresso nas urnas, excluindo brancos e nulos. A votação realiza-se entre as 16 e as 21 horas. Os 7.200 militantes votam nas sedes do partido, num total de 54, e que correspondem ao número de freguesias da região.

A segunda volta está marcada para 29 de dezembro e o congresso para 10 e 11 de janeiro. Uma coisa é certa: dificilmente haverá um candidato que ganhe as diretas à primeira volta e tudo leva a crer que a disputa se fará entre Miguel Albuquerque e Manuel António Correia. Mas pode haver surpresas. De acordo com os estatutos do PSD/M, o novo líder é eleito com 50% mais 1 voto do total expresso nas urnas, excluindo brancos e nulos. A votação realiza-se entre as 16 e as 21 horas. Os 7.200 militantes votam nas sedes do partido num total de 54 e que correspondem ao número de freguesias da região.

Nestes últimos meses, os madeirenses assistiram a uma luta interna no PSD/M sem exemplo no passado. Com ataques pessoais e acusações de falta de democracia, de erros de governação, esbanjamento dos dinheiros públicos e um virar de costas às políticas dos últimos anos, Jardim, foi inclusive, apelidado de “ditador” pelo seu antigo nº 2, Miguel de Sousa, e acusado de “caça às bruxas” por Miguel Albuquerque com quem disputou em 2012 as última eleições internas perdendo apenas 142 votos. Este foi o primeiro susto e um indicador de que Jardim já não agregada os militantes em torno da sua figura. Mesmo assim, achou que iria controlar a sucessão. Não conseguiu. A cedência de lugar, adiada vezes sem conta, transformou-se num melodrama com laivos de tragédia pessoal. As suas “crias”, como uma vez lhes chamou, mataram o progenitor sem que o “pai” conseguisse fazer uma transição pacífica.

A região autónoma vive um tempo histórico com seis candidaturas. Quem são eles? Jaime Ramos, o homem de mão de Jardim ao longo de quatro décadas, secretário-geral do partido, presidente da Associação de Industriais da Construção Civil, entre outros cargos, líder do grupo parlamentar durante décadas;  João Cunha e Silva, atual vice-presidente do governo e uma figura jardinista; Manuel António Correia, atual secretário regional do Ambiente, o homem que Jardim queria para sentar-se na cadeira da Quinta Vigia;  Miguel Albuquerque, o “rebelde”, ex-presidente da Câmara do Funchal; Miguel de Sousa, deputado, vice-presidente da Assembleia, empresário ligado ao Grupo Pestana, ex-governante e eterno delfim; Sérgio Marques, ex-deputado Europeu que assumiu o perfil de “terceira via”.

QUEM É QUEM

Manuel António Correia

Manuel António Correia, 47 anos, secretário regional do Ambiente, já apontado por Marcelo Rebelo de Sousa como sendo o possível sucessor de Alberto João Jardim (no poder desde 18 março de 1978), foi elogiado pelo próprio presidente do Governo Regional como sendo “a esperança da Madeira”.

Miguel Albuquerque

Miguel Albuquerque, 53 anos, ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal, durante vários mandatos, disputou as eleições internas contra Alberto João Jardim em 2012, perdendo o partido por uma percentagem reduzida. Alberto João Jardim escolheu-o como inimigo de estimação.

sergio marques

Sérgio Marques, 54 anos, fez a “travessia do deserto” para candidatar-se à liderança do PSD-Madeira mantendo o silêncio desde 2009, ano em que saiu do Parlamento Europeu. A relação com Jardim é má desde essa altura e muita crítica relativamente à democracia interna do partido.

João Cunha e Silva

João Cunha e Silva, 55 anos, é neste momento o vice-presidente do Governo Regional. Aquando da apresentação da candidatura disse que avançava “num momento particularmente difícil, logo após o anúncio do apoio do presidente a outro elemento do Governo, Manuel António Correia.

Miguel de Sousa

Miguel Sousa, 60 anos, foi o eterno delfim de Alberto João Jardim sendo apontado vários vezes como o sucessor natural, tendo ocupado várias pastas no executivo regional. Hoje é deputado e vice-presidente da Assembleia Legislativa regional.

jaime ramos

Jaime Ramos, 67 anos. Como habilitação literária, possui o antigo 9º ano do Liceu e é empresário. Desempenha as funções de presidente do grupo parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira e vogal da comissão política do PSD. É membro da Comissão Permanente.

A sucessão de Alberto João Jardim poderá, ainda, empurrar a Madeira para eleições antecipadas no primeiro trimestre de 2015. Só dois dos candidatos – João Cunha e Silva e Jaime Ramos – dos seis que disputam esta sexta-feira a primeira volta das eleições diretas, defendem um governo de gestão até outubro, ou seja, o cumprimento do calendário das eleições legislativas regionais. Miguel Albuquerque, Miguel de Sousa, Manuel António Correia e Sérgio Marques querem chamar os madeirenses a votos para “legitimar” a novo líder. Uma solução que a oposição subscreve.