O Japão está a ponderar repor as sanções que levantou em julho sobre a Coreia do Norte, caso Pyongyang não forneça brevemente novos dados sobre os sequestros de cidadãos japoneses, disse fonte do Governo à agência Kyodo.

No passado mês de julho, Tóquio levantou as sanções unilaterais que mantinha desde 2006 sobre o regime norte-coreano em matéria de deslocações e envio de remessas entre os dois países, depois de Pyongyang se ter comprometido a reabrir a investigação sobre os alegados raptos, que decorreram durante décadas.

Com base neste acordo, o Japão esperava receber um primeiro relatório do Comité de Investigação Especial norte-coreano, liderado pelo vice-ministro da Segurança Estatal, So Tae-há, entre finais do verão e início do outono, mas Pyongyang nunca apresentou o documento.

A possibilidade de Tóquio repor as sanções surge num momento em que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acaba de autorizar a imposição de novas sanções contra a Coreia do Norte em resposta ao ciberataque contra a Sony Pictures, que Washington considera ter sido da autoria do regime de Kim Jong-un.

Um representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros nipónico explicou que a Coreia do Norte “encontra-se agora numa situação muito complicada” a nível diplomático devido ao caso da Sony Pictures, e tendo em conta que a ONU abordou recentemente a questão da violação de direitos humanos no país.

Tóquio promete continuar a pressionar o regime norte-coreano em 2015 para que avance com a investigação sobre os alegados sequestros e espera sentar-se novamente com o Governo de Pyongyang para negociações este mês.

O Japão afirma que entre 1977 e 1983 pelo menos 17 japoneses foram sequestrados pela Coreia do Norte para darem aulas sobre a cultura e idioma nipónicos, no âmbito de programas de formação de espiões.

Até à data, apenas cinco pessoas regressaram ao Japão e Pyongyang garante que os restantes, ou morreram, ou não chegaram a pisar solo norte-coreano, uma versão que o Governo nipónico não aceita.