Os operadores de Portugal, Espanha e França assinaram um acordo para o desenvolvimento de projetos com vista a aumentar as interconexões de eletricidade entre a Península Ibérica e o resto da Europa, anunciou a Comissão Europeia.

Segundo Bruxelas, o “documento de estratégia comum” foi assinado pelos operadores do sistema de transmissão de Espanha, França e Portugal (a REN – Redes Energéticas Nacionais), sendo que este “lista objetivos comuns e indica quais as opções para projetos que podem aumentar a capacidade de interconexão atual”. “Esta estratégia será fundamental para atingir o nível mínimo de interconexões de 10% aprovado no Conselho Europeu de outubro passado”, referiu o executivo comunitário.

A Lusa contactou a REN, o operador português, para obter mais informações sobre o acordo assinado, tendo fonte oficial remetido informação adicional para mais tarde. No Conselho Europeu de outubro passado, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia alcançaram um acordo sobre o pacote energia e clima, que prevê uma meta para as interconexões – de 10% até 2020 e de 15% até 2030.

Na ocasião, o primeiro-ministro português, Passos Coelho, considerou “crucial” para Portugal o acordo conseguido na cimeira e que era reivindicado por Portugal, embora as metas alcançadas não sejam vinculativas. Entretanto, na cimeira de dezembro, Pedro Passos Coelho, o chefe de Governo espanhol, Mariano Rajoy, e o Presidente francês, François Hollande, acordaram celebrar uma cimeira no início de fevereiro, em Madrid, dedicada precisamente aos projetos de interligações energéticas.

A interconexão das redes permite o transporte de eletricidade e de gás sendo que atualmente a Península Ibérica é considerada uma “ilha energética” devido às baixas interconexões existentes (apenas 1,5% da capacidade instalada). No comunicado divulgado, o comissário europeu da Energia, o espanhol Miguel Cañete, considerou a estratégia assinada “um importante primeiro passo no sentido de pôr fim ao isolamento da Península Ibérica do resto do mercado interno da eletricidade”, acrescentando que apenas um mercado completamente interligado pode permitir aos consumidores a certeza de que acedem aos melhores preços e a eletricidade ambientalmente mais sustentável.

No mesmo sentido, o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela União Energética, Maros Sefcovic, afirmou que as interconexões energéticas são “vitais” para construir a União Energética e cabem nos objetivos da Comissão no âmbito da política climática.