A assembleia-geral de acionistas da PT SGPS agendada para a próxima semana, dia 12 de janeiro, poderá ser adiada, escreve esta quarta-feira o Diário Económico. O jornal avança que o presidente da mesa, António Menezes Cordeiro, está a fazer contactos com os principais acionistas para avaliar esta possibilidade, já que a auditoria da PwC às relações entre a operadora e o Grupo Espírito Santo (GES) não foi, ainda, divulgada. E, mesmo que o seja nos próximos dias, já não irá a tempo de ser incluída na documentação essencial para os participantes no encontro de acionistas.

O Diário Económico escreve esta quarta-feira, sem especificar fontes, que poderá ser do entendimento de Menezes Cordeiro, o presidente da mesa, que a auditoria da consultora PriceWaterhouseCoopers (PwC) é uma informação relevante para os acionistas e que, já que o documento ainda não foi divulgado, a assembleia-geral da próxima segunda-feira poderá ser adiada. Ou, em alternativa, iniciar-se mas sem haver lugar a votação. Em cima da mesa na assembleia-geral estará a possível venda da PT Portugal aos franceses da Altice, além da hipótese de estes acionistas ficarem com 20% do capital da PT Portugal, uma hipótese admitida pela Altice.

A auditoria encomendada pelo conselho de administração da PT SGPS à PwC, para analisar as relações entre a operadora de telecomunicações e o GES, deveria ser parcialmente revelada esta semana, mas isso ainda não aconteceu. Estiveram relacionadas com este documento as buscas realizadas por elementos da Polícia Judiciária nas sedes da Portugal Telecom (PT), em Picoas, Lisboa, e da consultora PwC. Em comunicado, o Ministério Público esclareceu, entretanto, que “neste inquérito estão em causa suspeitas de participação económica em negócio e burla qualificada, investigando-se aplicações financeiras realizadas pela empresa”.

Já saíram, contudo, algumas informações quanto ao conteúdo da auditoria. A TVI noticiou terça-feira à noite que a Portugal Telecom SGPS teve de se endividar para recolher os recursos necessários destinados a subscrever instrumentos de dívida de empresas do GES. Esta é uma das conclusões daquele documento, em que a auditora se queixa de não ter tido acesso a toda a informação necessária para averiguar as relações entre a empresa e as unidades do GES que financiou. E contraria a tese de que os investimentos feitos em dívida do GES correspondiam a simples aplicações de excedentes de tesouraria da PT.