Intensos bombardeamentos foram hoje registados no leste separatista pró-russo da Ucrânia e, particularmente, na zona do aeroporto de Donetsk, disputado entre o exército ucraniano e os rebeldes.

Durante a tarde, 331 mineiros ficaram bloqueados durante várias horas na mina de carvão de Zasyadko, uma das mais importantes da região, após um corte de eletricidade causado pelos bombardeamentos continuados.

Um responsável do sindicato independente dos mineiros ucranianos, Mikhailo Volynets, anunciou que os mineiros conseguiram sair todos, sãos e salvos, ao início da noite.

Os tiros continuados de artilharia provenientes dos dois campos, essencialmente foguetes “Grad” e granadas de morteiro, marcaram o dia de hoje, continuando a ouvir-se fortes detonações em Donetsk, bastião dos rebeldes pró-russos, de acordo com uma correspondente da agência noticiosa francesa AFP no local.

O exército ucraniano afirmou que “os grupos armados ilegais [separatistas] estão a aumentar o número e a intensidade dos ataques”, cujo “principal alvo continua a ser o aeroporto de Donetsk”.

“A situação mantém-se tensa nas zonas de Mariupol, Donetsk e Lugansk”, considerou o porta-voz militar ucraniano Andrii Lyssenko. Um soldado morreu e dez ficaram feridos durante as últimas 24 horas, informou.

Após várias semanas de uma trégua respeitada, os combates – que causaram mais de 4.700 mortos desde abril – redobraram de intensidade desde quinta-feira, enquanto Kiev, Moscovo, Berlim e Paris tentam encontrar uma solução política para o conflito.

As negociações prosseguiram hoje, antes de uma possível cimeira sobre o futuro da região, a 15 de janeiro em Astana (Cazaquistão), entre os Presidentes ucraniano, Petro Porochenko, e russo, Vladimir Putin, sob a égide do Presidente francês, François Hollande, e da chanceler alemã, Angela Merkel.

Porochenko, Hollande e Merkel debateram a questão, durante cerca de 15 minutos, em Paris, à margem da ‘marcha republicana’ contra o terrorismo, indicou a presidência francesa.

O palácio do Eliseu acrescentou que o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, também em Paris para a homenagem às vítimas dos atentados mortíferos dos últimos dias, não participou neste encontro.

A data das próximas negociações não foi ainda confirmada.

Uma reunião de chefes da diplomacia da Ucrânia, Rússia, França e Alemanha está marcada para segunda-feira à noite, em Berlim.