Produtores de Melgaço manifestaram-se nesta terça-feira, no Porto, contra o alargamento da denominação vinho verde Alvarinho à restante região dos vinhos verdes e pela manutenção do atual exclusivo naquele município e no de Monção. Os manifestantes viajaram em sete autocarros, um deles da Câmara Municipal de Melgaço, e a esmagadora maioria vestiu uma camisola com a inscrição “o Alvarinho é nosso, não ao alargamento”.

A manifestação foi uma iniciativa da própria autarquia de Melgaço, de maioria socialista, a qual informou que estiveram presentes cerca de 450 manifestantes. Vários deles são pequenos produtores de uva e de vinho Alvarinho que afirmam temer pela sua sobrevivência se perderem o exclusivo da rotulagem vinho verde Alvarinho.

Hoje, terá lugar a última reunião entre produtores da Sub-região de Monção e Melgaço, intermediada pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), e da restante região sobre os termos do alargamento da rotulagem.

Os primeiros pretendem algumas garantias para darem o seu aval ao fim de um exclusivo com mais de 40 anos. Os segundos alegam que não faz sentido haver distinções dentro da mesma região vinícola, sentindo-se lesados pela atual situação.

Na manifestação realizada hoje, frente à sede da CVRVV, com o patrocínio da Câmara de Melgaço e da Comunidade Intermunicipal do Minho, a produtora Aida Mendes disse à agência Lusa que estava ali porque “o alargamento pode prejudicar” e salientou que o Alvarinho é “a única fonte de rendimento” local. “É do que vivemos”, resumiu, frisando que “ainda há muitos terrenos” nos dois municípios e que quem quiser “pode produzir lá o vinho”. “Temos que defender o que temos, porque em Melgaço não há fábricas, não há mais nada. O alargamento vai tirar aquilo que é nosso”, reforçou Aida Mendes.

Outro produtor referiu que o alargamento que está ser negociado sob a égide da CVRVV é mau para Monção e Melgaço e também não vai beneficiar os das outras sub-regiões. Com o alargamento, ” a denominação de origem Alvarinho vai ser nivelada por baixo” e lesar o considerou ser “um vinho de excelência”, argumentou. “A denominação de origem representa uma mais-valia para nós”, continuou o esmo produtor, salientando, também.

“O Alvarinho representa uma vivência e tradições e é um legado dos nossos antepassados”, acrescentou, recomendando aos responsáveis “que repensem” todo o processo e o eventual fim do atual, exclusivo detido por Monção e Melgaço.

O grão-mestre da Real Confraria do Vinho Alvarinho, José Afonso, disse que a manifestação tem por base protestar contra a usurpação quer a restante região quer fazer de um trabalho que foi desenvolvido na viticultura de Monção e Melgaço”. “As restantes sub-regiões da Região dos Vinhos Verdes viram qui um negócio”, considerou, referindo haver “interesses económicos instalados” que cobiçam o que foi feito pelos produtores de Alvarinho daqueles municípios.

O presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, aludiu também aos “interesses das grandes empresas que trabalham com o vinho verde”, mas considerou “injusto” que o alvarinho local, “de repente”, seja utilizado por elas para fazer “grandes negócios”.