Não precisa ir a correr para uma livraria comprar a edição especial do Charlie Hebdo, a menos que queira sentir-se desiludido. O semanário satírico só chega às bancas, em Portugal, na sexta-feira. E desconhece-se quantos exemplares os vendedores terão à disposição.

“Já mandei vários e-mails, tenho mais de 80 encomendas e não sei o que dizer aos clientes”, diz ao Observador Luís Silva, proprietário de uma papelaria na Rua do Loreto, em Lisboa.

O próprio fornecedor, afirma, tem encaminhado os clientes para ele. “O telefone não tem parado. Estou a ficar com o e-mail das pessoas e informo-as assim que souber”.

Normalmente Luís Silva recebe dois exemplares por semana. Não era uma publicação com grande saída. Esta semana, o comerciante está a ver se consegue ter 120 exemplares. Mas não sabe se vai conseguir. Ninguém lhe diz quantos exemplares vão chegar ao País.

Contactado pelo Observador, o departamento de exportações da distribuidora MLP (Messageries Lyonnaises de Presse) diz que estão previstos 500 exemplares para Portugal, que partiram esta manhã e que só estarão disponíveis nas papelarias sexta-feira.

A primeira tiragem seria de um milhão de exemplares, mas dado o volume de encomendas, decidiu-se aumentar para três milhões de exemplares. A France Presse avançou, entretanto, que seriam impressos mais dois milhões. Uma informação que a distribuidora não confirma, para já, ao Observador. Desconhece-se quantos exemplares estarão traduzidos em inglês, espanhol e árabe. Há também uma versão digital em italiano e em turco. O primeiro milhão vendido reverterá a favor das vítimas do atentado ao Charlie Hebdo.

A edição que sai esta quarta-feira em França foi preparada pelos sobreviventes do ataque terrorista e traz na capa uma caricatura de Maomé, de lágrima no olho, segurando um papel com a frase ‘Je suis Charlie’, igual às utilizadas por milhões de pessoas que se manifestaram em defesa da liberdade de expressão, sob o título “Tudo está perdoado”.