Luís Marques Mendes analisou as recentes sondagens SIC/Expresso que dão conta da vantagem do Partido Socialista na corrida às eleições legislativas de 2015: “Se os dois partidos [PSD e CDS] forem separados às eleições levam uma banhada”, considera o comentador durante o habitual comentário semanal na SIC.

Marques Mendes revelou, no entanto, que a coligação “vai mesmo avançar”, embora não o anunciem “tão cedo”. “Talvez entre meados de março e abril”, vamos saber o que decidiram as cúpulas dos partidos, apontou. Para já, enquanto nem Portas nem Passos dão a garantia de que vão concorrer juntos, o “nervosismo” no interior do Executivo mantém-se. Mas, de acordo com o comentador, as sondagens não trouxeram más notícias apenas para PSD e CDS: os socialistas e António Costa “parecem estar a perder o gás”, avisou.

“O fosso entre os dois partidos está a diminuir. (…) António Costa está a funcionar a dez à hora, num ritmo muito baixo, porque ainda não definiu o programa” e isso pode custar-lhe a vantagem na corrida eleitoral.

O comentador escrutinou, também, os resultados das sondagens para as eleições presidenciais. Se à esquerda Marques Mendes vê com “curiosidade” a proximidade entre António Guterres e António Vitorino nas intenções de voto, já à direita a questão é mais translúcida: “Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato melhor posicionado e o favorito dos portugueses”.

O antigo secretário-geral do PSD abordou, ainda, a nomeação de Gonçalo Reis e Nuno Artur Silva para a administração da RTP e deixou elogios à escolha de duas pessoas “consensuais” pelas provas dadas na televisão portuguesa.

Ainda assim, será que com a nova dupla Reis-Artur Silva a estação pública vai conseguir oferecer um produto televisivo diferente? Esta é a pergunta que Marques Mendes quer ver respondida. “A RTP custa 140 milhões de euros por ano, 400 mil euros por dia. (…) [Mas] a programação é igual à da SIC e da TVI, que não têm dinheirinho do erário público. Isto assim não pode ser”, sustentou.

Apesar dos elogios à nova administração, Marques Mendes criticou todo o processo de nomeação, que descreveu como “lentíssimo”. “[Até ao momento], temos uma administração às pinguinhas” afirmou, referindo-se ao facto de ainda não ser conhecido o nome do responsável pela pasta das finanças na administração da RTP. “Isto se fosse no setor privado já estava feito”.

As novas leis de combate ao terrorismo

Luís Marques Mendes comentou, ainda, os desafios que se colocam na Europa depois dos ataques terroristas em Paris. Num momento em que se discutem medidas mais duras de controlo e policiamento de fronteiras o comentador assume: “É preciso alterar as leis”.

“O problema do terrorismo é sério e infelizmente veio para ficar. (…) Os governos têm de perceber que o perfil dos novos atentados é muito diferente do passado. (…) Vai ser inevitável restringir o terrorismo. E, para tal, é necessário alterar as leis”, nomeadamente, “agravando as penas” e  retirando “a nacionalidade” a quem se envolve neste tipo de atividades, afirmou.

O comentador reconheceu, no entanto, que a grande dificuldade do governo português e dos outros governos europeus é o de perceber como “dosear” as leis antiterroristas, sem pôr em causa as liberdades e garantias individuais dos cidadãos. Mesmo assim, Marques Mendes acredita que tem de haver “firmeza”.

“Não há liberdade sem segurança. Mas é preciso, ao mesmo tempo, não ceder nos princípios essenciais e acabar com as liberdades, porque dessa forma estamos a ceder ao terrorismo e à chantagem que eles [terroristas] fazem”, concluiu o comentador.