destaque

Golos, uns atrás dos outros. A piscarem o olho aos grandes e aos pés que têm feito por estarem lá em cima na tabela. Foram 33 as bolas que entraram nas balizas e deram golo nesta na jornada que serviu para dobrar a esquina no campeonato e assinalar que metade do caminho já foi percorrido. Com um recorde da época, pois em nenhuma das anteriores 16 jornadas se tinham marcado tantos golos.

Houve muita gente, portanto, a levantar-se do banco ou do sofá para festejar. Um obrigado é devido aos jogos que pelo meio tiveram os cinco primeiros classificados (Benfica, FC Porto, Sporting, Vitória de Guimarães e Sporting de Braga) da liga — porque em todos eles se marcaram, pelo menos, quatro golos. E com tanta bola que acabou dentro da baliza é estranho que apenas três jogadores tenham marcado mais do que um. A façanha coube a Salvio, na goleada encarnada na Madeira, a Urreta, na derrota caseira do Paços de Ferreira, e a Kléber, na reviravolta amarela no Bessa.

O internacional brasileiro (sim, tem um jogo pela seleção canarinho), esquecido no FC Porto, mas lembrado pelo Estoril, já vai com uma dezena de golos marcados esta época, seis deles na liga. Com o Boavista pela frente, marcou o primeiro com um pulo de gigante, num canto, e o segundo com um toque com o pé canhoto para picar a bola, com classe, por cima do guarda-redes, depois de o detetar muito longe da baliza quando levantou a cabeça antes sequer de pensar o que ia fazer à bola.

Os axadrezados, para já, vão com apenas 14 golos marcados no campeonato. Os mesmos que já saíram dos pés ou cabeça de Jackson Martínez, colombiano, que também marcou em Penafiel — sozinho, o avançado já transformou mais bolas em golos do que cinco equipas inteiras (Arouca, Vitória de Setúbal, Académica, Penafiel e Gil Vicente). É mesmo muito golo. Quem para já vai com poucos é um japonês.

Chama-se Junya Tanaka, pouco fala de inglês e não sabe nada de português. Dizem que está sempre bem-disposto e tem no pé canhoto uma mira mais que certeira para bater livres. Em Braga viu-se isso, frente ao Boavista reparou-se num penálti e, agora, contra o Rio Ave, foi dele o último golo do jogo, o primeiro que marcou com a bola a rolar. São já três golos marcados para o nipónico que continua a dar motivos para trocadilhos com samurai ou Óliver Tsubasa (personagem de uma conhecida série de animação japonesa, sobre futebol).

desilusão

Os leões estiveram no palco que mostrou a partida mais mexida da jornada. A segunda parte foi de loucos, cheia de contra-ataques e jogadas rápidas a repetirem-se, com golos e remates à mistura. O Sporting marcou quatro e acabou a festejar, mas também sofreu dois do Rio Ave. Um par de golos que aumentou para oito o número que a equipa já sofreu está temporada, em Alvalade — em toda a época passada sofrera sete. Em casa a defesa tem tremido.

O Gil Vicente é que não pára de tremer. Os de Barcelos chegam ao checkpoint da liga com apenas nove pontos e uma vitória. Com uma liga a 18 equipas, só em 1997/98 chegou à 17.ª jornada com igual registo, num tempo em que Mário Jardel, Jimmy Floyd Hasselbank e Gaúcho eram nomes de avançados goleadores.

Quem desta vez não marcou foi Anderson Talisca, o magrinho e alto brasileiro que, porém, deu nas vistas quando fez das pernas uma tesoura e, do nada, rasteirou um defesa do Marítimo. Os encarnados já venciam por 4-0 e pouco faltava para a partida dizer adeus. O médio já tinha um amarelo e queria ver o segundo — como Nani o fez no primeiro jogo de 2015. Assim Talisca cumprirá o castigo na Taça da Liga, não no campeonato. As regras, como estão, assim o permitem.

frase

“Depois de analisar as imagens verifica-se que há um simples meter a mão na camisola que não afeta nada.” As palavras vieram de António Silva Campos, presidente do Rio Ave. Antes já o diretor desportivo, Miguel Ribeiro, exigira que “todos os intervenientes no jogo [fossem] competentes”. Ambos se referiam ao penálti que o árbitro Paulo Almeida assinalara sobre Fredy Montero.

A jogada é simples: o colombiano, com a bola nos pés e com Prince à frente, atirou-a para o lado e tentou driblar o defesa. Parecia que o conseguir, mas o francês, mais forte, acabou por lhe ganhar posição, mas com uma ajuda — agarrou a camisola do avançado do Sporting com uma das mãos, segurando-o um pouco com o mesmo braço. Era das típicas faltas que, a meio campo, eram assinaladas assim que o jogador que a sofresse parasse de correr ou se queixasse.

Qual a diferença entre a grande área e o resto do campo? Se uma falta ocorrer dentro dos seus limites, dá penálti.

resultados

Vitória de Guimarães 4-0 Académica
Penafiel 1-3 FC Porto
Belenenses 2-0 Gil Vicente
Boavista 1-2 Estoril Praia
Paços de Ferreira 2-3 Nacional da Madeira
Moreirense 1-0 Arouca
Vitória de Setúbal 1-3 Sporting de Braga
Marítimo 0-4 Benfica
Sporting 4-2 Rio Ave

Saíra do Estádio da Luz encolhido para lá do terceiro lugar que ocupava, mas recuperou, goleou e venceu como a equipa que é e está no topo do campeonato. O Vitória de Guimarães foi eficaz e bateu a Académica que, como o Gil Vicente, também ainda só tem uma vitória na liga. Em Setúbal, o Vitória de Domingos Paciência voltou a perder — nos últimos nove jogos, aliás, só venceu um. O Belenenses, depois de não marcar um golo em seis partidas seguidas, também ganhou e, sobretudo, chega a meio do campeonato como a única equipa que ainda não recebeu qualquer cartão vermelho.