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Governo ‘ameaça’ empresas com quotas de género nos conselhos de administração

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A secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, e o secretário de Estado Adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, reuniram-se esta tarde com 22 empresas cotadas para debater igualdade de género.

Em Portugal, há 9,7% de mulheres nos conselhos de administração das principais empresas do setor privado

Getty Images

Em Portugal há 9,7% de mulheres nos conselhos de administração das principais empresas do setor privado. Um número que para a secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, mostra que “os resultados são difíceis de obter” apenas através da implementação de boas práticas no setor privado – a nível do setor empresarial do Estado há mais de 20% de mulheres nestes cargos. Após ouvir as sugestões das empresas, nomeadamente, a importância de “sensibilizar os acionistas” que definem a escolha final nas administrações, a secretária de Estado considera que, tal como noutros países europeus, “não se pode descartar” a possibilidade de introdução de quotas de género nos conselhos de administração se as empresas portuguesas não aumentarem o número de mulheres em cargos de topo.

A reunião desta tarde, onde 22 empresas partilharam com a secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, e o secretário de Estado Adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, as suas preocupações e boas práticas sobre a igualdade de género, mas especialmente o problema do desequilíbrio da representação das mulheres nos seus cargos de topo, significa, segundo Teresa Morais disse ao Observador, “uma abertura ao diálogo por parte do Governo”.

Em setembro, a secretária de Estado já se tinha reunido com o governador do Banco de Portugal e com o presidente da CMVM de modo a chamar a atenção dos reguladores para a introdução de boas práticas que promovam a igualdade de género e de oportunidades entre homens e mulheres.

Durante a reunião, várias empresas mostraram reticências em relação à possibilidade de introdução de quotas nos conselhos de administração em Portugal, à semelhança do que já acontece nalguns países europeus como França e de propostas que estão a ser discutidas na Comissão Europeia sobre a introdução da medida a nível comunitário.

Apesar de não haver para já intenção do Governo de avançar com esta medida, a secretária de Estado afirma que caso isto aconteça, a responsabilidade é das próprias empresas que não fazem esta transição naturalmente. “Apesar dos progressos, estes são tão lentos que se as empresas não fizerem o que tem de ser feito para as mulheres serem valorizadas, vamos demorar 24 anos a ter 33% de mulheres nos conselhos de administração e mais de 40 anos a atingir 50%”, afirma a secretária de Estado.

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