O secretário-geral do PS diz que sempre recusou que a “renegociação da dívida fosse a única e necessária solução”, mas, na entrevista que dá hoje ao Público, deixa algumas possibilidades sobre qual pode ser a solução para a dívida pública. Falando sobretudo do caso grego, António Costa já fala em “involução” do Syriza e diz que a solução para a crise europeia tem de passar por uma maior solidariedade entre os 28 estados-membros, da Alemanha à Grécia, e pelo fim de uma política que deixou de promover o crescimento.

Na entrevista, o secretário-geral do PS deixa críticas ao primeiro-ministro, que diz não tem defendido os interesses de Portugal, e lança pistas para aquilo que defende sobre a dívida pública.

Desde que se apresentou como candidato a candidato a primeiro-ministro, que o tema da dívida pública tem sido caro a António Costa. Com alguns elementos na sua equipa mais próxima a defenderem a reestruturação da dívida pública, como Pedro Nuno Santos que apresentou uma solução em conjunto com Francisco Louçã, desde o início que lhe é perguntado o que propõe como solução. Primeiro, Costa remeteu para a moção estratégica, depois, na moção e na Agenda para a Década (o documento orientador da política socialista para os próximos dez anos), remeteu a solução para a Europa. E agora, com a Grécia a apresentar um plano que passa por associar o pagamento da dívida ao crescimento, o líder socialista mostra simpatia e apresenta um leque de possibilidades. Mas não se compromete.

Na entrevista ao Público não diz o que defende, mas apresenta soluções, entre elas um haircut. Quando lhe perguntam como pode ser alcançado o equilíbrio entre assegurar as condições de pagamento da dívida, o respeito pela Constituição e como lançar investimento, responde:

“Pode ser efetivamente por uma redução da dívida, do serviço da dívida pela redução das taxas de juro, isso o BCE tem assegurado. Pode ser teoricamente sobre o montante do capital em dívida, mas pode ser também por via do aumento dos recursos de liquidez para investimento, seja pelos mecanismos de quantative easing ou por um reforço das transferências comunitárias ou por um outro mecanismo”.

Por partes.

  1. “Pode ser efetivamente por uma redução da dívida, do serviço da dívida pela redução de taxas de juro, isso o BCE já tem assegurado” – Costa sempre defendeu esta hipótese, que de resto o atual governo também defende e já conseguiu negociar, pois já houve reescalonamento da dívida e diminuição das taxas de juro;
  2. “Pode ser teoricamente sobre o montante de capital em dívida” – Costa lança um haircut da dívida como uma das possíveis soluções. Não dizendo se a defende ou não, o líder socialista elenca-a como uma possibilidade.
  3. “Pode ser também por via do aumento dos recursos de liquidez para investimento, seja pelos mecanismos de quantative easing ou por um reforço das transferências comunitárias ou por um outro mecanismo” – Esta última possibilidade tem sido a mais defendida pelos socialistas, que aplaudiram o plano de investimento do novo presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker e a decisão do BCE de há duas semanas de lançar um plano de injeção de liquidez através da compra de dívida de 60 mil milhões de euros por mês.

Na entrevista, António Costa insiste ainda que há um “risco geoestratégico” se a Grécia um dia sair do euro e que não se pode falar em moralidade, ou de premiar o mau exemplo, quando se põe em cima da mesa a possibilidade de renegociar a “dívida grega”: “Quando estamos numa situação de crise social como a que se vive na Grécia é imoral evocar o risco moral. E sabemos hoje que a doutrina do risco moral era falsa”.

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