As Nações Unidas apelaram nesta segunda-feira a doações de 1,8 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) para ajudar mais de 2,5 milhões de sul-sudaneses ameaçados pela fome no país, em guerra civil há 13 meses. Regressada de uma visita de dois dias ao Sudão do Sul, a responsável pelas operações humanitárias da ONU Valerie Amos disse ter visto “destruição generalizada” e “um nível de sofrimento insustentável”.

“Precisamos que os combates parem e que a paz seja restaurada”, adiantou durante uma conferência de doadores organizada na capital queniana, Nairobi, sede regional da ONU. “O conflito teve um efeito devastador no Sudão do Sul e se a paz não voltar rapidamente terá também um impacto regional importante”, disse ainda.

O Sudão do Sul vive desde dezembro de 2013 uma guerra civil, com massacres interétnicos. O conflito, que opõe as forças fiéis ao presidente Salva Kiir aos amotinados leais ao antigo vice-presidente Riek Machar, já causou dezenas de milhares de mortos. Segundo a responsável da ONU, “o cenário mais provável” é o de “uma intensificação” das violências com a aproximação da estação seca, durante a qual ficam facilitados os movimentos de tropas.

A ONU estima que mais de metade dos 12 milhões de habitantes do Sudão do Sul precisam de ajuda, entre os quais 2,5 milhões se encontram em risco de fome. O conflito deixou perto de dois milhões sem casa, tendo fugido para os países vizinhos 500.000.

Kiir e Machar acordaram um novo cessar-fogo no início da passada semana e os mediadores do conflito — os dirigentes da organização intergovernamental leste-africana IGAD — determinaram que até 05 de março os oponentes devem concluir um acordo de paz. Mas os observadores estão céticos, uma vez que os dois homens já assinaram sete cessar-fogos, todos violados.