Uma molécula derivada de uma erva asiática revelou-se eficaz contra a infeção de ratos com o vírus do ébola, abrindo portas a um possível tratamento em humanos, conclui uma investigação publicada esta quinta-feira na revista Science.

Cientistas do Instituto de Investigação Biomédica do Texas descobriram que a tetrandrina, uma molécula de origem vegetal, protege, em pequenas doses, ratos da infeção, sem efeitos secundários particulares. “Quando testámos esta molécula em ratos, ela impediu a reprodução do vírus e permitiu salvar a maior parte deles do ébola”, explicou um dos autores do estudo, Rovert Davey.

O próximo passo dos investigadores será testar a inocuidade e a eficácia da molécula contra o ébola nos macacos. Os autores do estudo agora publicado já tinham determinado que o mecanismo que permite às células transmitirem cargas elétricas, no qual os detetores de cálcio desempenham um papel-chave, era importante na infeção do Ébola.

Os investigadores descobriram que dois detetores de cálcio eram particularmente importantes para que o vírus penetrasse nas células para se multiplicar e testaram diversas moléculas, incluindo a tetrandrina, para determinar qual é que seria mais eficaz para neutralizar os detetores.

De acordo com o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde, o novo surto de ébola fez 9.177 mortos, desde o início de 2014, a maior parte na Libéria, na Serra Leoa e na Guiné-Conacri.