Vários políticos estrangeiros foram impedidos de prestar uma última homenagem a Boris Nemtsov, o líder da oposição russa que foi assassinado na passada sexta-feira junto ao Kremlin, em Moscovo, refere o Guardian.

O funeral de Nemtsov aconteceu esta terça-feira no cemitério de Troyekurovskoy, na capital russa. Antes da cerimónia fúnebre, centenas de pessoas reuniram-se no Centro Sakharov, construído em honra de Andrei Sakharov, defensor dos direitos humanos e Prémio Nobel da Paz, para uma última homenagem.

“É alguém de quem me sentia próxima. Queria dizer-lhe adeus. Era um homem de princípios, um homem carismático. Pouco me importa quem o matou, é uma perda irreparável”, disse Maria Koniakova, psicóloga.

O senador polaco Bogdan Borusewiz foi um dos oficiais que foi proibido de entrar no país para participar na cerimónia de homenagem a Nemtsov. Borusewicz, que deveria liderar uma comitiva russa, foi impedido de entrar em Moscovo devido às sanções europeias aplicadas à Rússia.

A deputada Sandra Kalniete, da Letónia, foi também impedida de entrar no país. Kalniete foi obrigada a esperar durante duas horas no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo, até que lhe foi finalmente dito que a entrada lhe tinha sido negada. À BBC, a deputada europeia disse que não lhe foi dada qualquer explicação. “Não ia à Rússia para fazer declarações políticas, nem para ofender as pessoas”, explicou ao canal de televisão. “Ia à Rússia para prestar homenagem a Boris Nemtsov, que considero ser uma das personalidades políticas mais brilhantes e admiráveis na Rússia”, acrescentou.

“O que passei nestas últimas horas não é nada em comparação com o que ele passava todos os dias, lutando pelo futuro e pela liberdade da Rússia”.

Alexei Navalny, da oposição, pediu às autoridades que lhe fosse permitido ir ao funeral, mas o pedido foi negado. Navalny encontra-se preso por 15 dias por ter distribuído panfletos que publicitavam uma manifestação.

Entre aqueles que foram autorizados a prestar homenagem ao antigo vice-primeiro-ministro, encontram-se o embaixador norte-americano John Tefft e o ex-primeiro-ministro britânico, John Major. Major apelou às autoridades para que fosse feita uma investigação completa e transparente, referindo que a voz de Nemtsov nunca será calada. “Foi a visita mais triste que já fiz a Moscovo”, afirmou.

Milhares de pessoas marcharam esta segunda-feira pelas ruas de Moscovo, em homenagem a Boris Nemtsov, morto na passada sexta-feira. Segundo algumas agências noticiosas, pelo menos cerca de 10 mil russos participaram na marcha. De acordo com a BBC, a oposição aponta para cerca de 50 mil.

Em entrevista ao canal de televisão Dozhd, a namorada de Nemstov, que estava presente no momento do assassinato, disse que tinham acabado de sair do restaurante onde tinham jantado quando o ataque aconteceu.

Anna Durytska, de 23 anos, contou à Dozhd que estavam a atravessar a Ponte de Pedra em direção ao apartamento de Nemstov quando tudo aconteceu, refere o Wall Street Journal. Duryska disse que não conseguiu ver o atacante e que já passava da meia-noite.