António Varela é dono de “metade” de 506 mil ações do BCP e tem, também, 25 ações preferenciais do Banif. Além disto, conta com investimentos em bancos estrangeiros como o UBS, o Santander e o Deutsche Bank, bem como em outras cotadas nacionais como a Mota-Engil e a Portugal Telecom. Estes são, segundo o Público, alguns dos investimentos em ações e obrigações que ainda constarão da carteira de António Varela, nomeado pelo governo para administrador do Banco de Portugal e visto como potencial sucessor do governador Carlos Costa.

Segundo a edição desta terça-feira do Público, estes são alguns dos investimentos diretos de António Varela, um homem que fez carreira no setor financeiro, acumulou no mercado de capitais antes de ir para o Banco de Portugal. Os investimentos levantam, contudo, algumas questões de conflito de interesse que estão a ser objeto de análise de um grupo de trabalho criado pelo supervisor, segundo soube o Público junto de fonte do Banco de Portugal.

O Banco de Portugal tem um código de conduta que faz referência a este tipo de situações mas não proíbe que os administradores tenham investimentos, sobretudo quando as aplicações foram feitas antes da entrada em funções. Diz, contudo, que os administradores “devem evitar qualquer situação suscetível de originar conflitos de interesse, considerando-se, para este efeito, que existe conflito de interesses sempre que os membros do conselho tenham interesses privados ou pessoais que possam influenciar, ou aparentem influenciar, o desempenho imparcial e objetivo das respetivas funções”.