Uber

Sabe o que é e como funciona a Uber? Em janeiro, testámos a aplicação

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A Uber está proibida de operar em Portugal e em menos de 24 horas milhares de pessoas manifestaram-se contra. O Observador explica como funciona a app e recupera o teste que fez em janeiro de 2015.

A aplicação móvel funciona por geolocalização

Em menos de 24 horas, milhares de pessoas manifestaram-se nas redes sociais contra a decisão do Tribunal de Lisboa de encerrar a atividade da Uber no país. Por volta das 13 horas de quarta-feira, cerca de 2 mil já tinham assinado uma petição para que o Governo regulamente o setor dos transportes e permita que os utentes disponham de um “serviço a um preço justo, seguro e que promova a mobilidade inteligente”.

O assunto pôs a internet em estado de sítio e só opera em Lisboa e no Porto. Por ser um serviço novo, tem provocado curiosidade nos utilizadores, que se dividem entre os entusiastas e os desconfiados. Mas – polémicas à parte – sabe o que é a Uber e como funciona?

1. Afinal, o que é a Uber?

A Uber é uma empresa tecnológica, com sede nos Estados Unidos da América. Entrou em Portugal em julho de 2014, com o serviço UberBlack, apenas na cidade de Lisboa. Cinco meses depois, estreou-se com o serviço UberX , em Lisboa e no Porto, simultaneamente. Rui Bento, responsável pela empresa em Portugal, disse ao Observador que existem dezenas de milhares de pessoas a utilizar regularmente a plataforma.

A Uber é uma plataforma tecnológica, que se materializa numa aplicação móvel para smartphones. Para prestar serviços às pessoas, recorre a parcerias com outras empresas de aluguer de veículos com motoristas privados. Através da app, e porque recorre a um serviço de geolocalização, liga utilizadores comuns a motoristas privados, sem ser preciso ligar ou sair do sítio onde se encontra.

2. Que serviços existem disponíveis em Portugal?

A Uber entrou em Portugal com a disponibilização de dois serviços: o UberBlack e o UberX.

O UberBlack é considerado o segmento de luxo, porque só funciona com carros de gama alta, como Audi A6, BMW série 5 ou Mercedes Benz Class E. A tarifa base deste serviço é de dois euros, a que se soma 30 cêntimos por minuto e 1,10 euros por quilómetro. No mínimo, uma viagem custa oito euros. A quem quiser cancelar este serviço, é retirado da conta a tarifa mínima do serviço.

O UberX é o serviço low-cost da empresa, que começa com uma tarifa base de um euro, em carros Volkswagen Golf, Opel Astra ou Seat Leon. À tarifa base, acresce 10 cêntimos por minuto e 65 cêntimos por quilómetro. No mínimo, tem de pagar 2,50 euros pela viagem. Se quiser cancelar o serviço, paga a mesma tarifa mínima.

O UberPop, serviço que tem causado polémica em vários países e que já foi proibido em países como Espanha ou Alemanha, não está disponível em Portugal. É o serviço mais económico da Uber, e funciona como uma plataforma para partilha de boleias. Desta forma, qualquer pessoa pode utilizar o seu carro privado para ganhar dinheiro.

3. Como funciona a app?

– Se for utilizador

Basta descarregar a aplicação da loja do smartphone. É gratuita, pelo que não tem de pagar nada. Depois, cria uma conta, onde é obrigado a introduzir os dados do cartão de crédito – é através deste cartão que efetua o pagamento. Ou seja, quando utiliza o Uber não paga a viagem no momento, o valor é debitado posteriormente na conta bancária associada ao cartão de crédito.

Quando entra na app, esta reconhece automaticamente o sítio onde se encontra e indica-lhe quantos carros Uber estão nas proximidades, bem como o tempo estimado que demorariam a chegar ao sítio onde se encontra. É logo aqui que escolhe o serviço que quer: UberX ou UberBlack. Escolhido o serviço, escreve a morada do destino e pede uma estimativa do custo da viagem. Só depois deste passo, é que confirma o serviço. Naquelas que são consideradas as horas de ponta, a aplicação alerta-o para a possibilidade de ser cobrada uma tarifa extra.

Quando o serviço é confirmado, fica a conhecer o nome do motorista que o vem buscar, o carro que conduz e a classificação que obteve de outros utilizadores que viajaram com ele. Bem como o sítio onde se encontra e o tempo de espera estimado. Neste passo, tem também outras opções disponíveis, como pedir para contactar o motorista, pedir para dividir a tarifa com as pessoas que viajam consigo ou cancelar a viagem.

Enquanto espera, consegue perceber pelo serviço de geolocalização o sítio onde o carro se encontra e o tempo de espera estimado. Quando estiver prestes a chegar, recebe uma notificação no smartphone. E pode seguir viagem. Quando terminar, tem de classificar a prestação do motorista na app e recebe um recibo no email associado à sua conta.

Na fotogaleria abaixo, pode visualizar, passo a passo, um pedido feito pelo Observador em Janeiro

– Se for motorista e quiser trabalhar para a Uber

Tem de prestar serviços para uma das empresas de aluguer de veículos com motorista privado parceiras da Uber. É para estas que trabalha diretamente, e não para Uber. Segundo aquilo que o Observador pode apurar, os motoristas recebem à hora, independentemente do número de serviços que façam.

4. Teste: mesma viagem de Uber e táxi

Em janeiro, o Observador fez o teste: viajou de Uber e de táxi partindo do mesmo sítio e com o mesmo destino. Recuperamos, de seguida, a reportagem, contada na primeira pessoa.

“Descarreguei a aplicação da Uber para o meu smartphone na quinta-feira à noite e criei uma conta pessoal. Na sexta-feira de manhã, acedi à app. O sítio onde me encontrava apareceu de imediato: Rua Luz Soriano, número 67, no Bairro Alto, onde fica a redação do Observador. Nesse instante, pude verificar que existiam quatro carros UberX nas proximidades e que o tempo de espera seria de cerca de oito minutos. Definido o local de partida, pedi uma estimativa de tarifa – onde tive de inserir o destino da viagem, a Fundação Calouste Gulbenkian, na Avendida de Berna. Fiquei a saber que custaria entre quatro e seis euros.

Cliquei no botão “Pedir UberX” às 11h10. Esperei alguns segundos até surgir a indicação de que o motorista X demoraria sete minutos a chegar ao sítio onde me encontrava. A acompanhar o nome do motorista, estava uma fotografia, a marca do carro que conduzia (Seat Leon) e a pontuação (4,8) que lhe tinha sido atribuída por outros utilizadores, numa escala de zero a cinco.

Com a indicação de “Motorista a caminho”, percebi que o tempo de espera se mantinha nos sete minutos, mas depois passou para dez, baixou para seis e às 11h21 recebi a notificação de que o Uber estava a chegar. Demorou 11 minutos. Entrei no carro.

O motorista estava vestido com um sobretudo preto, cumprimentou-me com simpatia. Respondi que queria ir até à Gulbenkian e iniciámos a viagem. Não me disse mais nada até que decidi quebrar o silêncio. Conversámos durante o resto da viagem, sem revelar que era jornalista. Perguntei-lhe se podia aceder à internet, respondeu-me que sim, ativou o hotspot dosmartphone e deu-me a palavra-chave para aceder. Às 11h34 cheguei à porta da fundação. A viagem demorou 13 minutos.

Quando saí do carro, o motorista mostrou-me, no seusmartphone, o valor da viagem: 5,06 euros. Explicou-me que teria de avaliar a sua prestação na aplicação e que se quisesse podia introduzir o número de contribuinte na fatura. Avaliei o motorista e confirmei que a viagem tinha custado 5,06 euros.

O recibo chegou por email minutos depois, com os detalhes da viagem e um link para o sítio onde podia pedir fatura. Quis introduzir o número de contribuinte, mas não encontrei um campo específico para o fazer. Contactei a Uber e informaram-se que estavam a trabalhar nessa opção. Por enquanto, deveria responder ao email, onde tinha o recibo, e indicar o nome e o número de contribuinte que queria.

Viagem de táxi 1

Voltei à redação para fazer a mesma viagem de táxi. Telefonei para a Cooperativa de Táxis de Lisboa e pedi um veículo para a mesma morada: Rua Luz Soriano, número 67. Eram 12h26. Quatro minutos depois, o táxi, um Mercedes antigo, de cor bege, chegou. Entrei, o taxista cumprimentou-me também com simpatia e disse-lhe que queria ir para a Fundação Calouste Gulbenkian.

Quando me sentei, o taxímetro registava 3,25 euros de tarifa mínima e 0,80 euros (por ter pedido um táxi pelo telefone), ou seja, 4,05 euros. Perguntou-me por onde queria ir e dei-lhe a indicação do trajeto (pelo Príncipe Real e Rua Castilho) que tinha feito com a Uber, mas quis saber qual era a sua opinião. Respondeu-me que achava mais prático ir por outro caminho, pela Calçada da Estrela e pelo Túnel do Marquês. Decidi aceitar a sugestão, para ver as diferenças. Demorou 17 minutos e paguei 7,95 euros. No final do serviço, trouxe a fatura.

Viagem de táxi 2

Como o percurso não tinha sido o mesmo, voltei a repetir a viagem. Chamei um novo táxi para a mesma morada no Bairro Alto, às 13h15 e às 13h20 entrei para a viatura. Outro Mercedes antigo, de cor bege, cujo interior denunciava já vários anos de estrada. No taxímetro, estavam os mesmos valores da viagem anterior: 3,25 euros mais 0,80 euros. O tratamento foi semelhante ao anterior: com simpatia. Fui novamente para a fundação, mas desta vez pedi para ir pelo percurso que o motorista da Uber tinha feito. Fomos conversando e 14 minutos depois chegava ao meu destino. Paguei 6.95 euros e também trouxe fatura.”

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