O crescimento económico na zona euro acelerou no primeiro trimestre, com uma subida de 0,4% face ao trimestre anterior, com surpresas positivas em Itália e França a compensarem um desempenho abaixo das expectativas da Alemanha. Já a Grécia registou uma contração da economia de 0,2% entre janeiro e março, depois da perda de 0,4% do PIB no quarto trimestre, também em cadeia, segundo dados publicados esta quarta-feira pelo Eurostat. Atenas voltou, portanto, à recessão técnica.

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4% no primeiro trimestre, em comparação com o último trimestre de 2014, tanto na zona euro como na União Europeia. No quarto trimestre o PIB tinha crescido (também em cadeia, ou seja, face ao terceiro trimestre) 0,3% na zona euro e 0,4% na União Europeia a 28.

Na comparação homóloga, o PIB aumentou 1% na zona euro no primeiro trimestre e 1,4% na União Europeia, contra os 0,9% e 1,3%, respetivamente, no trimestre anterior. “O petróleo mais barato foi uma das grandes razões na origem do crescimento, com o consumo a fazer grandes contribuições no primeiro trimestre em França e na Alemanha”, escreve Christian Schulz, economista do Berenberg Bank, em nota enviada aos clientes.

“Em contraste, o euro mais fraco e o impacto da atuação mais agressiva do BCE teve um efeito misto, com as exportações líquidas a caírem nos dois países com o efeito positivo do euro mais fraco mais do que ofuscado pelo aumento da importação de bens, com os consumidores a gastarem o rendimento disponível associado à descida do petróleo em bens importados”, acrescenta o especialista.

Portugal cresceu, portanto, mais do que a zona euro como um todo, como revelam os números do Eurostat e, também, os da estimativa rápida publicada pelo INE esta quarta-feira.

Alemanha cresce (apenas) 0,3%

A economia alemã desacelerou mais do que o previsto no primeiro trimestre, com o PIB a crescer 0,3% face ao quarto trimestre. No trimestre anterior, o crescimento em cadeia tinha sido de 0,7%. Os economistas dizem, contudo, que a recuperação da economia alemã está “intacta”.

Já em França o crescimento foi de 0,6%, acima das expectativas, o ritmo de crescimento mais rápido em dois anos. Já Espanha cresceu 0,9%, mais do dobro do que a média na zona euro, sinal de que estão a dar frutos as reformas promovidas pelo governo nos últimos dois anos. Itália cresceu 0,3% na comparação em cadeia.

A Grécia, por seu lado, viu o PIB cair 0,2%, sendo acompanhado em recessão técnica pela Finlândia, cujo PIB caiu 0,2% no quarto trimestre e 0,1% neste primeiro trimestre de 2015.