Internet, streaming online de vídeo, televisões que permitem andar para trás ou gravar conteúdos. A forma como o mundo consome entretenimento mudou progressivamente nos últimos anos. Hoje, vemos séries, filmes ou programas de entretenimento quando e onde queremos. Na televisão, no tablet, no computador e no smartphone. Basta agendar, gravar, fazer download ou recuar na grelha de programação de um canal televisivo. E estamos em 2015. Daqui a cinco anos, como será?

Allègre Hadida, docente da universidade inglesa Cambridge Judge Business School, foi à procura da resposta, sobretudo para tentar perceber se as novas plataformas de distribuição de conteúdos vão modificar a estrutura da narrativa e a forma como contamos histórias. Concluiu que tem havido uma grande evolução na cadeia de valor da produção de conteúdos para media.

“Agregadores de conteúdos, como os canais de televisão, têm uma preocupação crescente de que podem ser expulsos da cadeia de valor, porque cada vez mais somos nós a encontrar os conteúdos, aos quais assistimos sem filtros”, adiantou Allègre Hadida, num artigo publicado no site da Universidade de Cambridge. Hadida disse ainda que cada vez mais as pessoas podem disponibilizar os seus próprios conteúdos online. É o que acontece com os Youtubers.

Para Alex Gonzalez, antigo co-coordenador de marketing da Disney, há duas grandes mudanças a caminho. A primeira tem a ver com os dados. E para o justificar recorre aos exemplos da Google e da Netflix, que “sabem mais de nós que nós próprios” e que criam conteúdos baseados nas suas crenças sobre o que os seus espectadores vão gostar.

Por exemplo: a Netflix criou a série “House of Cards” porque a empresa esteve a ver quais eram os actores e realizadores gostavam e chegaram à conclusão que podia ser uma boa ideia juntar Kevin Spacey e David Fincher. Mas este tipo de associação tem um perigo: o que é que acontece à descoberta de novos conteúdos? Como é que as pessoas são surpreendidas com séries que ainda não sabem que querem ver?

A segunda mudança tem a ver com a forma como a própria indústria se organiza. Com a quantidade de informação que está disponível hoje, é possível saber como produzir um filme, financiá-lo e encontrar talento para o elenco, sem precisar de recorrer a um agente. “Quem vence?”, pergunta Alex Gonzalez. O consumidor.

Já o ator, realizador e produtor Brett Granstaff diz que está previsto que, em 2020, a o mercado chinês ultrapasse o norte-americano, em termos de audiência e bilheteira. E que as produtoras estreiem filmes em várias  plataformas ao mesmo tempo, sem esperarem pelo período de tempo que, regra geral, vai da estreia em cinema para o DVD. Brett Granstaff especula que este tema vá atiçar a discussão entre os proprietários dos cinemas e as empresas de distribuição online.

E se pensa que os cinemas vão desaparecer, leia a opinião de Brett Granstaff. Para o ator, toda a experiência de assistir a um filme no cinema vai mudar, com a introdução de ofertas mais luxuosas ou de serviços acrescidos, como a possibilidade de beber alcool ou de restringir a entrada de crianças. Ir ao cinema deixará de ter tanto a ver com o filme e mais com a experiência em si.

Suranga Chandratillake, que fundou a Blinkx – motor de busca inteligente para conteúdo de vídeo e áudio – em 2004, acredita que em 2020 todos os dispositivos de conteúdo audiovisual vão reconhecer os espectadores, saber quais são os seus interesses e a experiência “vídeo” vai ser só uma, independentemente da plataforma em que se está. Suranga Chandratillak acredita que vão surgir novos formatos. Alguns vão vingar, outros não, mas o empreendedor acredita que vão surgir novas grandes empresas ligadas ao universo do vídeo.