O advogado Daniel Proença de Carvalho, que durante muitos anos foi o principal representante de José Sócrates, deixou de representar por completo o ex-primeiro-ministro, noticiou o Público. O advogado nunca representou o antigo líder socialista enquanto arguido no processo conhecido como Operação Marquês e agora deixou de o representar como queixoso em dois processos que tinha contra o jornal Correio da Manhã.

Os dois processos cíveis foram entregues no início do ano à equipa do atual advogado de Sócrates, João Araújo. A iniciativa partiu de Proença de Carvalho que disse ao Público que “não fazia sentido estar a representar o engenheiro José Sócrates só nestes processos cíveis”. Descartando que a decisão estivesse relacionada com a Operação Marquês, Proença de Carvalho disse esta tarde aos jornalistas que “não fazia muito sentido ter dois grupos de advogados quando os temas têm alguma ligação entre eles”.

Ainda que sem relação com a Operação Marquês, os dois casos em que Sócrates é queixoso estavam relacionados com a vida em Paris. Os processos foram intentados no início de 2013 contra 14 jornalistas do Correio da Manhã por alegadamente terem feito uma campanha persecutória e difamatória contra o ex-primeiro-ministro e por terem tentado criar na opinião pública a ideia que Sócrates levava uma vida milionária em França.

Enquanto advogado de Sócrates na altura em que o político era alvo de escutas, Proença de Carvalho admite que haverá também escutas das conversas que manteve com o cliente, mas classificou-as de “irrelevantes”. O advogado reafirma que Sócrates não lhe pediu para defender o motorista João Perna. Mas a verdade é que a sociedade de que é um dos principais sócios acabou por ser o primeiro representante do motorista na Operação Marquês, recorda o Público.

Atualizado às 12h30