Futuro da Grécia

Em 2011, Papandreou prometeu um referendo. A ideia caiu por terra. E ele também

241

Antes de assinar o segundo memorando grego, George Papandreou disse que queria consultar o povo grego num referendo. Merkel e Sarkozy disseram-lhe que não. Na Grécia, pediram-lhe que se demitisse.

George Papandreou ascende de uma conhecida família política grega. Tal como ele, o seu avô, Georgios Papandreou, e o seu pai, Andreas Papandreou, também subiram ao cargo de primeiro-ministro grego

AFP/Getty Images

“O povo grego é sábio e tem capacidade para tomar as decisões acertadas para o bem do nosso país. Uma decisão positiva do povo grego não será apenas positiva para a Grécia, será positiva também para a Europa.”

Não é Alexis Tsipras em 2015, mas sim George Papandreou em 2011, então primeiro-ministro da Grécia.

Passou-se a 1 de novembro de 2011. Menos de uma semana antes, no dia 27 de outubro, foi elaborado um plano de resgate em que a troika faria um empréstimo de 100 mil milhões de euros e um perdão de metade da dívida grega. Em troca, Atenas teria de implementar mais medidas de austeridade — ainda mais do que aquelas a que se comprometeu a 3 de maio de 2010, data de assinatura do primeiro memorando grego.

Por isso, em vez de assinar logo um segundo plano de resgate, Papandreou quis antes consultar os cidadãos gregos para saber se eles estavam de acordo.

A reação da Alemanha e da França não tardaram. A chanceler germânica, Angela Merkel, e o então Presidente francês, Nicolas Sarkozy, fizeram uma conferência de imprensa a dois onde demonstraram alguma reticência quanto ao plano grego.

Merkel pediu uma clarificação da consulta popular anunciada por Papandreou, dizendo que esta devia “ser sobre se a Grécia quer ou não ficar no euro”. “É preciso que não haja dúvidas quanto ao referendo que foi anunciado”, disse, condição sem a qual não seriam libertadas as seis tranches do novo empréstimo. Sarkozy apontou na mesma direção, dizendo que o dinheiro só chegaria a Atenas se “toda a incerteza que paira sobre este referendo desaparecer”.

O fim de Papandreou

A nível interno, o anúncio de um referendo para decidir se a Grécia aceitaria ou não um novo memorando também não foi bem recebido. O líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, na altura líder da oposição e que em junho de 2012 passaria a ser primeiro-ministro do país, disse que a consulta popular anunciada por Papandreou provocaria uma “cisão nacional”. O resto da oposição pediu eleições antecipadas.

Nem dentro do PASOK, o partido de Papandreou, a ideia de um referendo foi consensual. Na altura, o ministro das Finanças socialista, Evangelos Venizelos, disse que tinha sido apanhado de surpresa por este anúncio. Pouco depois, foi o próprio Venizelos a liderar um movimento interno que exigia ao primeiro-ministro não só que desistisse do referendo, mas também que se demitisse.

No dia 3 de novembro de 2011, uma semana depois de prometer uma consulta popular, Papandreou deixou a ideia cair por terra. E, no dia seguinte, o seu governo foi sujeito a uma moção de confiança. Passou por pouco, mas a imagem política do socialista nunca mais foi a mesma a partir daí.

A Nova Democracia exigiu-lhe eleições antecipadas e Papandreou respondeu-lhes com um convite para um governo interino. O acordo foi firmado no dia 7 de novembro. Papandreou demitiu-se e deu o lugar a Lucas Papademos, um tecnocrata independente que durou até às eleições de 17 de junho de 2012.

Aí, já com Evangelos Venizelos, os socialistas do PASOK tiveram o primeiro grande rombo eleitoral da sua história. Em 2009, sob a liderança de Papandreou, tiveram 44% dos votos e uma maioria absoluta. Três anos depois passaram a ser o terceiro partido mais votado, com apenas 12,3%. Dessa vez, a Nova Democracia de Samaras ficou em primeiro com 29,7%. Logo atrás, com 26,9%, ficou um partido até aí pouco conhecido liderado por um homem nada familiar: o Syriza de Alexis Tsipras.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jadias@observador.pt
Eleições Espanha 2015

Nem tudo vale na política

Dantas Rodrigues

Oportunismos como o da candidatura de Manuel Valls em Barcelona é que degradam a imagem da política e alimentam a propagação de partidos populistas sejam eles de extrema-direita ou de extrema-esquerda

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)