Espeleólogos procuram há vários anos desvendar os segredos da gruta do Buraco Roto, retomando agora a exploração para conhecer o património espeleológico, depois dos trabalhos na década de 1950 para abastecer de água Reguengo do Fetal, na Batalha.

“As primeiras atividades de exploração que efetuámos remontam a 2010”, disse à agência Lusa Pedro Silva Pinto, um dos responsáveis do Centro de Estudos e Atividades Especiais da Liga para a Proteção da Natureza, entidade responsável pela exploração.

Então, eram apenas conhecidos 400 metros da gruta do Buraco Roto, resultado da desobstrução efetuada pelos serviços estatais quando procuravam implementar o projeto do abastecimento de água para aquela freguesia do distrito de Leiria.

“Localizámos uma possível continuação, vinha uma pequena corrente de ar por um buraco muito pequeno que nos deu a indicação de que poderia haver galerias diante disso”, adiantou Pedro Silva Pinto, explicando que foram necessários cerca de três anos para abrir a passagem e, em 2014, duplicar os metros conhecidos da gruta, “escondida” numa escarpa sobranceira à freguesia.

No verão, a equipa trabalha numa espécie de contrarrelógio para aumentar o conhecimento da cavidade e, quem sabe, um dia chegar à origem da água, as galerias principais do aquífero, o que é um sonho, reconheceu o responsável, referindo que quando começa a chover intensamente os trabalhos são interrompidos, porque a gruta inunda, dela brotando no inverno uma cascata.

“Estamos numa fase de exploração para saber o que é que temos aqui e isso é muito importante”, salientou Pedro Silva Pinto, de 43 anos, espeleólogo há 17, destacando que “não se pode valorizar património sem antes o conhecer”.

O trabalho, com o apoio logístico da Junta de Freguesia do Reguengo do Fetal e financeiro da Câmara da Batalha, que deve terminar no final do ano, permitiu identificar várias ramificações e fazer o cadastro de outras grutas, mas falta muito mais.

“Quem conhece o Maciço Calcário Estremenho sabe que é uma zona por excelência de grutas. Ainda há muito trabalho para se fazer, muitas grutas para serem exploradas, cartografadas, cadastradas e esse trabalho tem de ser feito”, defendeu o responsável.

Reconhecendo que a exploração é como uma “caixinha de surpresas”, Pedro Silva Pinto afirmou que “nunca se sabe o que está a seguir à próxima curva”.

Até ao momento, o grupo acredita ter ultrapassado o quilómetro de extensão no Buraco Roto, onde há “múltiplas passagens estreitas, complicadas, tortas e molhadas” que têm de ser transpostas. E muita água, argila, terra, areia e “pedras com muitas esquinas”.

É por isso que a espeleologia, uma “das poucas atividades de exploração pura”, tem no “avançar pelo desconhecido” o principal atrativo, acrescentou Pedro Silva Pinto.