Em nome da “estabilidade orçamental” as próximas legislativas devem acontecer a 27 de setembro. Esta foi a posição manifestada esta terça-feira pelos socialistas ao Presidente da República, que recebeu os vários partidos em Belém para discutir a data das eleições.

Como o Observador noticiou esta é também a posição da coligação PSD/CDS, pelo que o último domingo de setembro começa a ser a hipótese mais provável para a realização das eleições legislativas. A alternativa seria 4 de outubro, mas, para o PS, é fundamental que Orçamento do Estado para 2016 seja aprovado ainda em dezembro, como explicou o diretor de campanha e cabeça de lista do PS por Vila Real, Ascenso Simões.

“Temos um longo processo [de 20 dias] para instalação da Assembleia da República. E só depois o próximo Governo pode tomar posse”, começou por explicar Ascenso. Nesse sentido, o PS acredita que 27 de setembro é data “preferencial” e a “mais indicada” porque abre a perspetiva de ter um Orçamento do Estado desenhado ainda antes do natal. “Tudo o que possamos ganhar para termos uma discussão ainda antes do natal seria bom para termos uma certa estabilidade orçamental”, sublinhou o socialista.

Aos jornalistas, Marco António Costa, vice-presidente do PSD – o último dos partidos a ser ouvido por Cavaco Silva -, acabou por dizer o mesmo que Ascenso Simões e apontar a data de 27 de setembro como a ideal – apesar de não excluir a hipótese de 4 outubro. Antes de PS e PSD, já Nuno Melo, vice-presidente dos democratas-cristãos, tinha manifestado a preferência por essa data. “O CDS apresentou como datas preferenciais o dia 27 de setembro ou 4 de outubro, muito embora nos pareça que a data de 27 de setembro seja talvez preferível”, até porque nessa altura “a vida normal já retomou o seu ritmo”, com o fim das férias e o regresso às aulas.

Entendimento diferente tem Jerónimo de Sousa. No final da reunião com Cavaco Silva, o líder comunista defendeu a necessidade de as eleições se realizarem em outubro, precisamente por considerar que muitos portugueses ainda não regressaram de férias e que tal afetará o normal desenrolar das eleições. O PCP avançou com duas datas alternativas para a ida às urnas – 4 e 11 de outubro -, argumentando que é preciso garantir que exista o “máximo de participação possível” nas eleições que vão escolher o próximo Governo português.

E o Orçamento do Estado para 2016? Jerónimo de Sousa desvalorizou essa questão e recordou que, à exceção de 2009, todas as legislativas tiveram lugar em outubro. “Tendo em conta a experiência passada”, nada indica que o facto de as eleições se realizarem em outubro vá significar um início de 2016 sem Orçamento. “Não ficamos sem Orçamento do Estado”, garantiu o líder comunista.

À semelhança da maioria e dos socialistas, também Catarina Martins acredita que tanto 27 de setembro como 4 de outubro são datas “aconselháveis para as eleições” porque nessa altura a rotina dos portugueses já terá voltado ao normal. “Consideramos que as eleições devem ser marcadas a 27 de setembro ou 4 de outubro, que são as datas que são simultaneamente o mais cedo possível, mas também fazem as eleições serem num período de vida normal, ou seja, já com o ano letivo iniciado”, explicou a líder do BE aos jornalistas.

A intenção dos vários partidos de avançar para as eleições já em setembro parece contrariar a vontade de Cavaco Silva. Em maio, numa visita oficial à Noruega, o Presidente da República terá revelado aos jornalistas que o acompanhavam que estava mais inclinado a marcar as eleições para outubro. Mesmo não se comprometendo com nenhuma data antes de ouvir os partidos, o Chefe de Estado lembrou os apertados prazos eleitorais e parece ter afastado a hipótese de marcar a ida às urnas para 27 de setembro. “Senão a campanha eleitoral ainda decorre nas praias…”, ironizou na altura.