Observação de golfinhos, passeios e deslocações para as praias de Tróia e da Arrábida constituem o novo serviço turístico da “aquaTAXI”, que alguns setubalenses já encaram como alternativa aos ferries e catamarãs que fazem a travessia do Sado.

Embora o custo da deslocação entre Setúbal e Tróia na “aquaTAXI” – 4,90 euros por pessoa – seja superior aos 3,25 euros cobrados pela Atlantic Ferries, concessionária do serviço público de transporte de passageiros entre as duas margens do Sado, este novo serviço marítimo, mais flexível, permite a deslocação direta para uma praia ou outros locais, de acordo com a vontade expressa pelo cliente.

“É uma experiência muito agradável. Penso que é um serviço que vai ter muita procura, porque satisfaz, com muita eficiência e rapidez, uma necessidade que as pessoas vão ter. Vai proporcionar lazer e também vai satisfazer outras necessidades, a nível de trabalho”, disse Marcelo Chagas, pouco depois de uma viagem entre Setúbal e a península de Tróia.

A Câmara Municipal de Setúbal também está satisfeita com o aparecimento de “mais um produto turístico”, salientando o facto de se tratar de um “um serviço diferente, com maior mobilidade e que está a agradar às pessoas”.

“As pessoas podem ir a vários sítios. Não têm de ir só a Tróia, também podem ir à Arrábida e a outros pontos. E os preços também nos parecem agradáveis”, disse à agência Lusa o responsável pela Divisão de Turismo do município setubalense, José Fernando, que espera, dentro de pouco tempo, “poder fazer marcações para este novo serviço no posto de turismo” da cidade.

Segundo o diretor comercial da “aquaTAXI”, Fernando Coré, a empresa LF CONSULT, propriedade de um setubalense, decidiu avançar com o projeto, na sequência de uma conversa de empresários ligados ao setor náutico.

“A ideia surgiu da constatação de que era necessário um serviço deste género, que proporcionasse acesso fácil a alguns locais de grande beleza da região, que são praticamente inacessíveis, a não ser por via marítima”, disse aquele responsável.

Apesar de evidenciar algum otimismo sobre o futuro do novo negócio, que, por enquanto, tem apenas uma embarcação ao serviço, Fernando Coré reconhece que ainda é cedo para avaliar o êxito do projeto, uma vez que “há muitos custos associados, que são incontornáveis”.

“Lançámos uma ideia que está à frente daquilo que poderá ser um serviço público futuro, porque ainda não há ‘taxipoints’ criados. Tudo é iniciativa nossa. Temos de pagar a marinas, numa e noutra margem [do Sado], para podermos ter um local de acostagem onde embarcar e recolher os passageiros em segurança, o que para nós é fundamental”, disse.

“Sentimos que era o momento de investir neste negócio – o investimento inicial foi de cerca de 60.000 euros -, atendendo ao reconhecimento de Portugal, e particularmente de Lisboa, como um bom destino turístico. Face à nossa proximidade de Lisboa, avançámos, sem estudos de mercado, mas seguindo o nosso instinto de que poderemos estar perante uma boa oportunidade de negócio”, acrescentou Fernando Coré.

O novo serviço está disponível em toda a zona do estuário do Sado, desde Alcácer do Sal até Sesimbra, com preços que podem ir desde os 4,90 euros, para uma simples deslocação rápida entre Setúbal e Tróia, ou os 56 euros, para uma viagem entre a Comporta e Sesimbra.