O Estado Islâmico está a vender mulheres e crianças capturadas com a finalidade de satisfazer os desejos sexuais dos combatentes. Os preços, devidamente fixados pela organização terrorista, podem ir até aos 165 dólares (151 euros) no caso de rapazes e meninas até aos nove anos de idade. Em muitos casos, estas crianças são vendidas e compradas por cinco ou seis homens diferentes.

Estas revelações foram feitas por Zainab Bangura, uma representante das Nações Unidas e ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Serra Leoa. Quando visitou o Iraque, em abril, Bangura teve acesso a um panfleto do Estado Islâmico, que incluía uma lista de preços de várias mulheres e crianças capturadas pelos terroristas. Havia ainda os nomes dos licitadores que participavam nos leilões organizados pelos terroristas, desde combatentes de primeira linha do Estado Islâmico até às famílias mais ricas do Médio Oriente.

“As meninas são vendidas como barris de petróleo. Uma rapariga pode ser vendida e comprada por cinco ou seis homens diferentes. Às vezes, alguns combatentes vendem as meninas de volta às famílias por centenas de dólares, [o preço] do resgate”, revelou a enviada especial da ONU para as questões de violência sexual.

De acordo com a Bloomberg, que cita Zainab Bangura, o preço das crianças vai variando consoante a idade. Rapazes e raparigas até aos nove anos de idade dominam a lista, logo seguidas por raparigas adolescentes, cujo preço pode ir até aos 124 dólares (113 euros). No caso das mulheres que já passaram a barreira dos 20 anos, o preço é mais baixo.

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Inicialmente, existiam algumas dúvidas em relação à veracidade da lista. Mas a representante da ONU não as tem: a lista é consistente com o modus operandi do Estado Islâmico. “Este não é um grupo rebelde comum. Isto é diferente. Eles são a combinação de um estado militar convencional e a um estado [administrativo] bem organizado”.

Prova disso é o modo como são usadas sexualmente as vítimas. Primeiro, os líderes da organização terrorista. Só depois os negociantes mais ricos da região. As restantes crianças e mulheres são oferecidas a combatentes de segunda linha pelos preços fixados.

“Eles têm uma máquina e um programa. Têm um manual de como devem ser tratadas as mulheres. Têm responsáveis por organizar estes “casamentos” e por vender mulheres. [Vão ao ponto de ter] uma lista de preços”, sublinhou Zainab Bangura. A comunidade internacional tem de começar a entender o Estado Islâmico como a organização terrorista altamente estruturada que é, acrescentou.