A Grécia chegou a um princípio de acordo com os representantes dos credores, após uma noite longa de negociações sobre as metas orçamentais, as reformas na economia e nas privatizações. “Temos um acordo”, confirmou o ministro da Economia grego, George Stathakis, em declarações ao Financial Times. Também esta manhã, a informação de que havia acordo foi avançada pela agência Bloomberg, que citava um porta-voz do Ministério das Finanças. O governo grego dizia que “faltam apenas um ou dois detalhes” para que se possa dar por concluídas as negociações.

A confirmar-se este acordo, para o qual faltarão, então, “um ou dois detalhes”, este virá menos de um mês depois da cimeira do euro de 12 de julho, em que Alexis Tsipras assinou com os credores europeus um plano para que pudessem ser reatadas as negociações com vista ao terceiro resgate. O trabalho técnico tem sido desenvolvido em Atenas, ao longo destas semanas, com vista a concluir este processo a tempo de a Grécia fazer um pagamento de 3,4 mil milhões de euros ao BCE no dia 20 de agosto.

Fonte europeia confirma que “sim, há um acordo”

A União Europeia (UE) confirmou hoje que a Grécia e os seus credores internacionais chegaram a acordo para conceder um terceiro resgate financeiro ao país. “Sim, há um acordo”, disseram à EFE fontes comunitárias, sem adiantar detalhes.

Antes de ser desembolsada a primeira tranche do terceiro resgate, o parlamento grego terá de votar mais um conjunto de “medidas prévias” entre as quais se encontram a criação de um programa de privatizações que pretende chegar aos 50 mil milhões de euros, medidas para combater o crédito malparado e a liberalização do setor energético. Esta última rubrica foi muito combatida pelo antigo ministro da Energia, Panayiotis Lafazanis, que se demitiu e lidera, agora, as vozes contra Alexis Tsipras dentro do partido Syriza.

Do lado europeu, segundo o Financial Times, os credores aceitaram atenuar as metas de consolidação orçamental como resposta à deterioração das condições económicas no país ao longo deste último ano. Bruxelas terá aceitado fundar as metas orçamentais na expectativa de que a economia irá contrair-se entre 2,1% e 2,3% em 2015, o que vai ao encontro das estimativas do governo grego mas que é menos pessimista do que o cenário temido por Bruxelas, que apontava para uma recessão até 3%.

Alemanha tinha dito que havia “maior vontade” do lado grego

Enquanto decorriam as negociações em Atenas, que culminaram com este princípio de acordo, o ministro-adjunto das Finanças da Alemanha, Jens Spahn, disse numa entrevista televisiva na Alemanha que “parece que há uma maior vontade [do lado grego] do que temos vivido nos últimos meses, com muitos avanços e recuos. Nessa altura, não sabíamos para que lado ia virar o governo grego”.

Este maior otimismo por parte de um membro do governo alemão contrastou com os alertas lançados nos dias anteriores, em que Berlim avisava que preferia dar mais tempo às negociações – o que passaria por um novo empréstimo intercalar – do que assinar um acordo “à pressa”.