É “insuficiente” o acordo técnico atingido na terça-feira entre o governo grego e os representantes dos credores (Bruxelas, FMI e BCE), considera o Ministério das Finanças alemão em informação avançada pelo tabloide alemão “Bild”. Alexis Tsipras quer levar o acordo a votação no Parlamento na quinta-feira, mesmo depois de ter ouvido ontem da boca de Angela Merkel que a chanceler alemã estava “cética“, mas esta opinião do Ministério das Finanças ameaça atrasar o terceiro resgate à Grécia.

O Bild cita fontes europeias (não especificadas) e um documento escrito que foi elaborado pelo Ministério das Finanças liderado por Wolfgang Schäuble. De acordo com o jornal, há três questões que o governo alemão vê como insatisfatórias e, por isso, continua a preferir que se atribua um novo empréstimo intercalar à Grécia para que as negociações continuem.

A primeira das três questões em aberto está relacionada com a participação do FMI no terceiro resgate, FMI que na terça-feira veio dizer que poderá participar financeiramente no programa mas só depois de serem tomadas medidas para aliviar a dívida pública grega. Ora, isso é algo que o Eurogrupo tem recusado à partida, ainda que se admita algum tipo de “operação” que reduza o fardo da dívida pública grega – ainda que nunca diretamente, através de um corte direto do valor – após uma primeira avaliação positiva ao programa, previsivelmente em outubro.

A segunda questão em aberto diz respeito, precisamente, à sustentabilidade dívida grega, que o Ministério das Finanças alemão não verá como garantida tendo em conta as medidas que foram acordadas e, por outro lado, as projeções económicas que lhes estão subjacentes. A Alemanha quer garantir que a sustentabilidade da dívida está assegurada mesmo tendo em conta que medidas de alívio da dívida só poderão ter lugar mais tarde.

O tema das privatizações é a terceira questão em aberto e um tópico em que a Alemanha quer ver mais “clareza”. Será que o fundo independente pode começar a trabalhar já e assumir já o controlo dos bancos? Esta é a terceira questão a que o Ministério das Finanças alemão quer uma “resposta imediata”.

Algumas medidas muito importantes não serão aplicadas já ou não estão bem especificadas“, escreve o Bild, citando o documento escrito do Ministério das Finanças da Alemanha. Além disso, segundo o jornal, o acordo fica aquém do que ficou acordado na cimeira do euro de 12 de julho, critica o ministério de Schäuble.

Esta manhã, o jornal grego Kathimerini já escrevia que o governo alemão estava “cético” em relação aos termos do “acordo técnico” atingido na terça-feira entre Atenas e os representantes dos credores. E Angela Merkel disse-o a Alexis Tsipras num telefonema ao final do dia de ontem entre a chanceler alemã e o primeiro-ministro grego. O governo alemão continua a preferir que se prepare um novo empréstimo intercalar que permita às negociações decorrerem mais algumas semanas sem que o Estado grego caia na bancarrota.

Período de graça de cinco dias por parte do BCE?

Surgiu, entretanto, a informação de que o BCE poderá estar disposto a dar à Grécia um período de graça de cinco dias para o pagamento dos 3,4 mil milhões de euros em dívida que vencem no próximo dia 20 de agosto. O Observador debruçou-se sobre esta questão dos períodos de carência nos títulos de dívida em julho, quando o pagamento que preocupava era a obrigação que venceu a 20 de julho e que a Grécia acabou por pagar graças ao empréstimo intercalar que recebeu em meados desse mês.

Já está disponível o texto do memorando de entendimento preliminar elaborado entre os representantes dos credores e o governo grego.