O orçamento para a campanha eleitoral que a coligação Portugal à Frente entregou junto da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos prevê uma subvenção estatal mais elevada do que a prevista pelo PS no seu orçamento. Como o valor estimado pelos partidos para a subvenção é calculado em função do número de votos que acreditam ir ter nas eleições, tal indica que Costa espera ter menos votos do que Passos e Portas.

A notícia é avançada esta quinta-feira pelo Jornal de Negócios, que dá conta de que o PS não está otimista em relação à maioria absoluta. O mandatário do PS, Hugo Xambre, confirmou que o partido fez as contas com base num resultado previsto “entre os 38 e os 39%”. Um cenário de vitória, sim, mas algo abaixo da maioria absoluta que Costa tem pedido insistentemente.

A coligação Portugal à Frente estima receber um subsídio para a campanha de 2,4 milhões de euros, enquanto o PS conta receber 2,385 milhões. A diferença não é muita em termos nominais, mas é maior em termos reais já que o PS concorre em todos os 22 círculos e a coligação não concorre nos Açores e na Madeira (aí PSD e CDS vão às urnas separados, logo com um orçamento diferente).

Portugal à Frente fez as contas com base em 45% dos votos, tal como o mandatário da coligação para os assuntos financeiros, António Carlos Monteiro, avançara ao Observador.

As últimas sondagens têm apontado para isso mesmo, para a ausência de maiorias absolutas. O barómetro Eurosondagem de agosto, o último divulgado, mostra que PS e coligação estão cada vez mais próximos nas intenções de votos, aparecendo afastados por apenas 1,5 pontos percentuais. PS aparece na frente com 36,3% e a coligação logo atrás com 34,8%. Longe da maioria absoluta.

Certo é que o cálculo da subvenção pública destinada a financiar a campanha de cada uma das forças políticas é complexo e difícil de estimar, uma vez que só existe um bolo que tem de ser dividido por todos numa proporção prevista em função dos votos que cada partido prevê alcançar para si e para os seus adversários.

O bolo é atualmente de 6,82 milhões de euros, sendo que tem de ser dividido em duas fatias: a primeira, de 20%, é distribuída de forma igual por todos os partidos que estejam na corrida para mais de metade dos lugares e que consigam efetivamente eleger pelo menos um deputado. A segunda, a maior (80%), é para dividir pelos partidos consoante os votos reais que obtenham no sufrágio. O orçamento que as candidaturas têm de entregar obrigatoriamente à Entidade das Contas do Tribunal Constitucional é por isso feito com base nas suas crenças e nas sondagens. O dinheiro, no entanto, só é entregue aos partidos depois de conhecidos os resultados eleitorais.