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Por cima dos camarotes do Coliseu do Porto, numa das entradas do segundo balcão, um palco. Sem estrado, luz, cortina ou artifício. É a impressão digital do NOS em D´Bandada. Faz parte do espetáculo, semear música em terrenos de outros ofícios, acostumados a colheitas diferentes. Pode ser no meio do comércio, no átrio da igreja, num elétrico. Para o lançamento da quinta edição foi no lugar por onde o público passa e se acomoda que o músico Nuno Prata e uma guitarra fizeram uma versão crua da canção “Vai andando sobre as águas”, como um Jesus acrobata, verso da letra, lá para os lados do teto.

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A escolha do sítio do anúncio da 5.ª edição do NOS em D´Bandada é tudo menos obra do ocaso. Este ano, o cartaz não se limita a passar à porta do Coliseu. Abre, entra, instala-se. E deixa o fado à espera dos visitantes em dois concertos, com Aldina Duarte e Carminho, ao fim da tarde do dia 12 de setembro, quando tantas ruas de uma só cidade vão dar às canções de um país inteiro. O destaque vai ao encontro do que o novo presidente do Coliseu, Eduardo Paz Barroso, disse ao Observador em abril. “O Coliseu é a rua coberta do Porto” e quer abrir-se aos diferentes tipos de público, sobretudo aos jovens.

Mas, já se sabe, dia de D’Bandada é dia de ver concertos em locais improváveis. O elétrico 203 zarpa pouco depois das 16 horas, com Jorge Palma em “digressão” pela baixa da cidade. É o tiro de partida para meio-dia de música, tirando a programação infanto-juvenil do jardim do passeio dos Clérigos, que vem mais cedo na ementa, logo a seguir ao almoço.

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Com a benção do padre daquele chão sagrado, este ano a D´Bandada chega ao átrio da Igreja de Santo Ildefonso. Tocam Éme, Benjamin e Tape Junk, após audição prévia e anuência do pároco.

Caves, cafés, bares, rua, praças, avenidas. No ano passado, o Porto a certa altura parecia curto para tanta gente. Foram feitas contas e as contas falaram de 250 mil pessoas  na plateia a céu aberto. Este ano, a organização aumentou a D´Bandada. São 78 concertos gratuitos em 21 palcos.  Henrique Amaro, programador e diretor artístico, fala deste crescimento: “não queremos hipotecar o passado. Não queremos ser o restaurante pequeno que cresce e degrada os seus pratos”.

Black Mamba e Miguel Araújo tomam conta da Avenida dos Aliados. A Praça dos Poveiros está guardada para o hip-hop. Sam the Kid, Mundo Segundo e Valete lá estarão. Quando o festival encostar às cordas, Peixe, Filho da Mãe e Tó Trips resolvem o assunto. À meia-noite Moullinex passa pelos Leões. Branko fecha a porta da D´Bandada com o disco Atlas, no Coliseu.