O primeiro-ministro britânico considerou que se a Catalunha se separar do Estado espanhol não fará parte da União Europeia, naquela que é a segunda declaração de apoio esta semana de um líder europeu às posições de Madrid.

“Essa questão [sobre uma saída da UE] também se colocou no referendo escocês e tem uma resposta muito clara: se uma parte de um Estado declarar a secessão desse Estado, então já não forma parte da União Europeia e tem de ir para o fim da fila dos outros países candidatos à adesão”, disse hoje David Cameron em conferência de imprensa na sede do Governo espanhol, em Madrid, ao lado do presidente do executivo espanhol, Mariano Rajoy.

O presidente do governo regional da Catalunha, Artur Mas, afirmou hoje que se nas eleições de 27 de setembro a plataforma independentista obtiver maioria no parlamento, vai iniciar-se um processo de independência da Catalunha com a duração de ano e meio.

Artur Mas disse ainda que, “se houver vontade política, a Catalunha vai manter-se dentro da União Europeia”.

Questionado sobre este tema, Cameron – que passou por um referendo de independência na Escócia, com vitória do “Não”, que defendeu – foi claro: as instituições europeias não o aceitariam.

“Essa, acredito, é a posição das autoridades da Comissão Europeia e de qualquer perito constitucional na Europa. É muito claro”, salientou o primeiro-ministro britânico.

Cameron reafirmou o que disse no Reino Unido na altura do referendo escocês. “Se tivesse que transmitir uma mensagem seria a mesma que no Reino Unido: estamos melhor juntos, somos mais fortes e prósperos juntos”, afirmou.

No entanto, sublinhou a necessidade de cada um, no seu país, respeitar os imperativos da lei, neste caso a Constituição espanhola, que não permite a secessão de qualquer uma das comunidades autonómicas.

“Não há duas situações iguais, mas creio que é importante que os países, os governos e quem quer tomar outros caminhos se sujeitem aos imperativos da lei. E que se ajustem à lei”, disse Cameron.

O chefe do Governo britânico é o segundo líder europeu a dar apoio público à posição do governo espanhol sobre uma eventual independência da Catalunha. Na terça-feira, em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, mostrou-se contra independências unilaterais e desagregações territoriais, afirmando que tal era contrário aos Tratados europeus.

Mariano Rajoy reafirmou, por seu lado, que não aceita entrar em diálogo sobre uma impossibilidade.

“É claro que não podemos ter um diálogo sobre como podemos dar a independência à Catalunha. Esse é o diálogo que quer o senhor Artur Mas. O que ele quer é que os restantes comecem a ver como o podemos ajudar a conseguir a independência. E é evidente que isso não é possível”, afirmou Rajoy.

O presidente do Governo espanhol sublinhou que “não vai entrar em diálogo sobre a unidade de Espanha nem sobre a soberania nacional”.

“Em primeiro lugar porque não acredito na rotura da unidade de Espanha e da soberania nacional, porque acredito que fizemos muitas coisas juntos e podemos fazer mais no futuro. E sobretudo porque essa decisão cabe aos espanhóis. Ou seja: o que Espanha vai ser no futuro não podem decidir nem o senhor Mas nem o presidente do Governo de Espanha, nem uns espanhóis nem outros”, afirmou.

“Os espanhóis é que têm de decidir isso. Ele sabe disso, mas cumprir a lei é algo que não entra nos seus parâmetros”, concluiu Rajoy, antes de salientar que “isso é muito perigoso”.