As buscas pelos quatro pescadores desaparecidos na Figueira da Foz foram retomadas esta manhã e o Instituto de Socorro a Náufragos (ISN) adiantou que há uma equipa de mergulhadores a vistoriar o arrastão Olívia Ribau, que naufragou na terça-feira por volta das 19h junto à barra, desde as 11h30.

Entretanto, João Traveira, cidadão figueirense, está a organizar uma manifestação silenciosa para as 18h30 em frente à Capitania “contra a ineficácia dos meios de salvamento do porto da Figueira da Foz”. O evento marcado no Facebook contava com mais de 4oo pessas por volta das 13h.

Entre a população da Figueira da Foz, o sentimento é de revolta pela falta de meios disponíveis na hora a que decorreu o acidente com o arrastão sediado em Aveiro, e pelo tempo que foi preciso esperar para que o helicóptero chegasse. O acidente que envolveu sete pescadores das populações da Cova-Gala, Costa de Lavos e Leirosa ocorreu por volta das 19h15. O helicóptero chegou por volta das 21h.

O comandante do ISN, Nuno Leitão, disse à SIC que “as medidas de socorro não demoraram muito tempo” a chegar ao local e que, por coincidência, estavam dois agentes da Polícia Marítima no local, que reportaram de imediato o que se estava a passar. “Foi feito tudo o que era possível”, referiu.

Mas as “muitas críticas” da população à ausência do ISN fizeram-se ouvir durante a noite de ontem e a manhã desta quarta-feira. “Os homens a gritar por socorro, na balsa salva-vidas e ninguém os conseguiu salvar”, disse uma testemunha ao Correio da Manhã.

Em comunicado, a Marinha disse esta manhã que os meios de salvamento da Capitania foram empenhados no momento do alerta, sendo “que se confirmou logo de imediato a inacessibilidade das embarcações semirrígidas e mota de água à embarcação que se encontrava nas pedras, em virtude das condições de mar adversas”.

Durante a madrugada, o comandante do ISN, Nuno Leitão, disse à agência Lusa que estavam 70 operacionais das capitanias da Figueira da Foz, Nazaré, Aveiro e Douro envolvidos nas buscas, bem como uma lancha de patrulha oceânica, com 40 tripulantes, e um helicóptero EH-101.

Comandante do porto não atendia o telemóvel

À Voz da Figueira, José Festas, da Associação de Pescadores Pró Maior, afirmou que vai indagar porque é que o comandante do porto não atendia o telemóvel e porque demorou o socorro marítimo. Quase uma hora depois do acidente ainda não havia meios marítimos de socorro. Os primeiros meios terrestres foram para o molhe norte e depois encaminhados para o molhe sul.

As pessoas que assistiam às operações de busca no molhe sul da Figueira da Foz, perto da praia do Cabedelo, afirmavam que tinham “deixado a morrer” os pescadores. Há dois irmãos que foram resgatados com vida, Adriano e Paulo Conceição, de 37 e 29 anos, segundo o Correio da Manhã.

Segundo apurou o Observador, os dois irmãos foram resgatados da balsa salva-vidas por um agente da Polícia Marítima de mota de água que conseguiu chegar ao local, sem luz e outros meios de salvamento. “Corajoso”, escrevem alguns no Facebook. Outros dois pescadores, que estavam agarrados ao casco do barco virado pediram socorro, que não chegou a tempo. O pescador, Joaquim, da Cova-Gala, foi já retirado sem vida.

Enquanto as operações de busca se desenrolavam, a população assistia à aflição dos homens. Rogério Silva pescava no local e contou ao Correio da Manhã que a embarcação estava a entrar na barra, à espera de uma ondulação favorável, até que o barco começou a inclinar-se. Quando o mastro bateu na água, o arrastão começou a ser engolido pelo mar.

Esta madrugada, comentários de revolta e imagens onde se pode ler “Pescadores de Luto” invadiram as redes sociais. Nas operações de resgate, estão ainda meios da PSP, Cruz Vermelha e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e uma carrinha com meios de intervenção da Polícia Marítima, equipados com capacetes e escudos de proteção.

As autoridades têm sido alvo de críticas e as operações de busca e salvamento estão a ser acompanhadas pelo comandante Regional do Norte da Autoridade Marítima, Martins dos Santos, e pelos comandantes do porto da Figueira da Foz e Aveiro. As buscas estendem-se ao areal das praias entre o Cabedelo e o Hospital Distrital da Figueira da Foz, na Cova-Gala.

Até ao momento, estão confirmados no naufrágio do arrastão Olívia Ribau uma vítima mortal, quatro desaparecidos e dois sobreviventes. Os tripulantes  são maioritariamente da Cova-Gala, Costa de Lavos e Leirosa e têm entre 40 e 56 anos.

*Artigo atualizado com informação sobre declarações do comandante do ISN às 13h23