Mais de 103 mil visitas ao Forte de S. Miguel e a quase duplicação de passageiros no ascensor espelham o aumento de turistas na Nazaré, atribuído pela autarquia ao impacto da onda surfada por McNamara e à promoção internacional.

“Temos indicadores de que a Nazaré tem estado mais cheia de turistas”, destacando-se o facto de “no Farol [Forte de S. Miguel] terem entrado mais de 103 mil pessoas”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Walter Chicharro.

Os dados referem-se aos três meses em que esteve aberto no ano passado (com exposições relacionadas com Zon North Canyon, no âmbito do qual o havaiano Garrett McNamara surfou, em 2011, na Praia do Norte, a maior onda do mundo) e aos seis meses de abertura deste ano.

A onda que celebrizou a Nazaré teve, segundo o autarca, “um grande impacto no aumento das visitas ao forte”, que recebeu entre 05 de julho e 16 de setembro do ano passado 37.517 visitantes e este ano, entre 29 de março e 30 de setembro, 64.977 visitantes.

O mesmo se passa com o ascensor centenário que liga o centro da vila ao Sítio, que “até setembro já ultrapassou o número de passageiros de todo o ano passado”, levando o autarca a estimar que “até final do ano atingirá os 800 mil passageiros”.

O ascensor, um ex-libris turístico da vila, registou ao longo do ano passado 657.561 passageiros e, em agosto desde ano, tinha já atingido os 638.716 utilizadores, apresar de ter estado parado para manutenção durante um mês.

O aumento de passageiros é transversal a todos os meses do ano, tendo a média mensal aumentado de 54.796 passageiros em 2014 para 79.839 em 2015.

A construção de um novo posto de turismo junto ao mercado, “num espaço central, bem identificado” tem também proporcionado, segundo Walter Chicharro, “uma dinâmica apreciável em termos de visitação”, que permite, por exemplo, identificar as nacionalidades dos turistas que mais procuram a vila.

França, Espanha e Alemanha lideram a tabela, mas o autarca não tem dúvidas de que “surgem cada vez mais turistas de países como a Austrália, Nova Zelândia e Estado Unidos”.

À procura da onda, “sem dúvida”, sustenta o presidente, mas também fruto de “campanhas de promoção internacionais que a câmara tem vindo a desencadear, seja por via de revistas da especialidade”, seja devido a presenças em feiras internacionais de turismo.

Na última edição do Festival Arco Atlântico, em Gijón, Espanha, a Nazaré foi mesmo “a cara de Portugal, com uma estratégia bastante incisiva de promoção”. O seu stand esteve completamente cheio todos os dias do festival, “batendo as cidades de Braga, Coimbra e Guimarães, também presentes”, sublinhou Walter Chicharro.

A par com os estrangeiros, também os turistas portugueses, sobretudo nos meses de ondas gigantes [outubro e novembro], procuram a Nazaré e fazem com que a vila registe “uma maior taxa de ocupação da hotelaria e com estadias mais prolongadas”, acrescentou o presidente da autarquia.