O nome do atual presidente do PS é o primeiro na calha para segunda figura do Estado. Segundo apurou o Observador, os socialistas já terão abordado as direções do BE e do PCP, recebendo um acordo de princípio para a eleição de um socialista para presidente da Assembleia da República – faltando saber se aceitam o nome preferido de Costa, o de Carlos César. 

Foi António Costa quem tratou dos convites esta semana. O líder do PS não afastou ainda a hipótese de Ferro Rodrigues, caso Carlos César não aceite. A direita nem entra nesta negociação, uma vez que a esquerda têm maioria no Parlamento. Isto na condição de todas as bancadas seguirem a indicação das direções no voto secreto. Por isso mesmo, a ala segurista terá sido também contactada, garantiu a mesma fonte ao Observador.

A eleição do presidente da Assembleia da República é o primeiro ato institucional dos novos deputados, o que deverá acontecer na sexta-feira. E Costa sabe que o jogo é de risco, no contexto do início desta legislatura. Para isso precisa de garantir o acordo com PCP e do BE e ainda assegurar que não há deputados socialistas a votarem contra o nome proposto – isto porque a votação é secreta o que permite desvios anónimos.

No jogo da pressão, a mesma fonte da direção socialista diz que não acredita que o grupo de deputados do PS que não está afeto à estratégia da direção vote contra o nome escolhido pelo secretário-geral do PS. “Esperamos uma votação unânime de todos os socialistas”, diz. Mas isso pode depender do nome. A semana passada, apesar de defenderem o nome de Alberto Martins, o posicionamento não era o mesmo se a escolha fosse Ferro Rodrigues, mais à esquerda, ou Carlos César, presidente do partido. Até por ser o número 1 do PS, seria uma desfeita institucional que estes deputados não pareciam estar dispostos a fazer. 

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César, no entanto, ainda não terá dado uma decisão final – e esta pode prolongar-se até ao dia da abertura da Assembleia da República. Isto porque não se sabe o desenrolar das negociações com o BE e PCP e o presidente do partido foi sempre tido como um dos ministeriáveis socialistas e seria até preferência do próprio um cargo mais Executivo. Além disso, poderá ser um dos assuntos em discussão na Comissão Política Nacional, na quinta-feira.

Tal como o Observador noticiou a semana passada, os seguristas, que podem fazer pender uma eleição, tinham apontado o nome de Alberto Martins como escolha, numa primeira pressão sobre a direção de António Costa, ameaçando com um chumbo ao nome escolhido.