Pintura

Onde encontrar o pintor dos 6 cêntimos

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Uma campanha está a juntar 600 mil euros para comprar um quadro de Domingos Sequeira - seriam 6 cêntimos por português. Onde estão as outras obras do artista que está a mobilizar tanta boa vontade?

"Alegoria às virtudes de D. João VI" está no Palácio Nacional de Queluz

Domingos Sequeira pintou quadros de D. João VI, O Clemente, e de D. Carlota Joaquina, A Megera de Queluz. Demorou algum tempo, mas também o artista ganhou um cognome: é agora Domingos Sequeira, O Pintor dos 6 Cêntimos.

A responsabilidade é do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), que lançou esta semana uma campanha de angariação de fundos para comprar a um proprietário privado o quadro Adoração dos Magos. No total, são precisos 600 mil euros. Como lembrou António Filipe Pimentel, director do MNAA, isto daria 6 cêntimos por cada português.

A Adoração dos Magos está neste momento em exposição no MNAA, que tem no seu acervo 45 pinturas de Domingos Sequeira — sendo 23 esboços — e 760 desenhos. Mas este não é o único sítio onde estão as obras do artista. Várias outras encontram-se espalhadas por Portugal e pelo estrangeiro.

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Nesta fotogaleria, veja as imagens das 14 obras de Domingos Sequeira que assinalamos na infografia em cima.

1 – “Alegoria à Fundação da Casa Pia” (1792-1794)

Este quadro foi pintado para Pina Manique, fundador da Casa Pia. Pina Manique foi um dos principais apoiantes do Marquês de Pombal e, depois da sua saída do poder, chegou a ocupar o cargo de Intendente-Geral da Polícia, onde não se distinguiu por exercer as suas funções com suavidade.

2 – “Milagre de Ourique” (1793)

Aqui é retratada a batalha, vencida por D. Afonso Henriques em 1139, que está na base do aparecimento do reino de Portugal. O milagre em causa consistiu numa visão que D. Afonso Henriques terá tido de Jesus Cristo.

3 – “Pregação de S. João Baptista” (1793)

Pregador do início do século I, foi S. João Baptista quem baptizou Jesus Cristo no rio Jordão. Morreria na prisão.

4 – “O Príncipe Regente D. João” (1802)

Este terá sido, de acordo com o site Portal da História, o primeiro quadro que Domingos Sequeira terminou depois de ser nomeado pintor régio, a 28 de junho de 1802. D. João, terceiro filho de D. Maria I e de D. Pedro II, tornou-se regente quando a sua mãe — conhecida como A Piedosa, ou A Louca — foi declarada incapaz. A ficha de inventário do quadro regista aquele que deveria ser o peso quase insustentável das condecorações com que D. João se fez retratar: “Ostenta ao peito a Insígnia do Tosão de Ouro, a Grande Placa das Três Ordens Militares e a Placa da Ordem de Carlos III de Espanha. Ostenta ainda as Bandas da Ordem de Carlos III e a das Três Ordens Militares, rematada com o respectivo Grande Hábito”.

5 – “O Príncipe Regente passando revista às tropas na Azambuja” (1803)

Os exercícios militares retratados nesta pintura tiveram lugar no Campo do Quadro, perto da Azambuja, no final de 1798, e envolveram mais de seis mil soldados. De acordo com a ficha de inventário da obra, “D. João tem o braço direito estendido para a frente, em direcção ao campo de batalha”.

6 – “Junot protegendo a cidade de Lisboa” (1808)

A sugestão para o tema deste quadro partiu (preparem-se para esta demonstração de humildade) do próprio general Junot, que esteve à frente das tropas francesas que entraram em Portugal em 1807. O invasor passava assim a protector.

7 – “Alegoria às virtudes de D. João VI” (1810)

Aqui aparece novamente D. João VI, que nomeou Domingos Sequeira pintor régio. O monarca surge, sem grandes subtilezas, sentado entre as nuvens.

8 – “Lisboa protegendo os seus habitantes” (1812)

Em 1808, Junot protegia Lisboa; em 1812, Lisboa protegia os seus habitantes.

9 – “O Conde de Farrobo” (1813)

Joaquim Pedro Quintela, 1.º conde de Farrobo, foi um dos grandes capitalistas do seu tempo. O seu gosto pelas festas daria origem à expressão “farrobodó”, que se transformaria em “forrobodó”. Mas este quadro foi pintado muito antes de tudo isso: de acordo com a ficha de inventário da obra, aqui teria “onze ou doze anos”

10 – “Família do Visconde de Santarém” (1816)

O 1.º Visconde de Santarém chamava-se João Diogo de Barros Leitão Carvalhosa e a família retratada neste quadro era, segundo a ficha de inventário, relativamente extensa: a sua segunda mulher, os cinco filhos e o seu irmão mais novo. A escultura em cima da mesa é de D. João VI (sempre ele).

11 – “Retrato Equestre de D. Carlota Joaquina” (1817)

Quando tinha apenas 10 anos, casou-se com o príncipe D. João, futuro D. João VI. Tiveram nove filhos e pode dizer-se que não viveram um casamento feliz. D. Carlota Joaquina tentaria afastar e substituir o marido — sem sucesso.

12 – “Mariana Benedita Sequeira” (1822)

O apelido não permite grandes equívocos: Maria Benedita era filha de Domingos Sequeira e nasceu em 1812. Segundo a ficha de inventário, o quadro “foi legado ao Museu Nacional de Arte Antiga em 1902”.

13 – “Adrião Ribeiro Neves” (1825)

De acordo com o Ashmolean Museum, Adrião Ribeiro Neves era um amigo próximo de Domingos Sequeira. O quadro foi pintado em Paris, onde ambos estavam exilados.

14 – “Coroação da Virgem” (1825-1830)

A coroação que dá título ao quadro é feita, segundo a ficha de inventário da obra, pela Santíssima Trindade “envolta numa auréola de cores vibrantes”. De acordo com o Museu Nacional de Arte Antiga, esta é uma “visão deslumbrante e luminosa do Além” e representa um período de “acerbada espiritualidade” de Domingos Sequeira.

15 – “Adoração dos Magos”

É o quadro de que toda a gente fala. Neste momento, está em exibição no Museu Nacional de Arte Antiga, que o pretende comprar. Para saber todos os detalhes sobre esta obra, leia este artigo.

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Texto de Miguel Pinheiro, grafismo de Milton Cappelletti.
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