A agência de rating DBRS, a pequena agência canadiana que dá a Portugal a chave para aceder ao financiamento do BCE, irá “discutir os desenvolvimentos políticos recentes” para tomar uma decisão sobre o rating de Portugal. Ainda assim, tendo em conta o historial desta agência de rating – a única que não tem a dívida de Portugal em lixo – os analistas duvidam que possa haver um corte de rating para já, talvez nem mesmo uma perspetiva negativa atribuída à notação. 

“Temos uma tendência para olhar para as coisas a longo prazo, mas também iremos discutir os desenvolvimentos políticos recentes e o aumento da incerteza a esse nível”. A frase, transmitida à agência Reuters, é de Adriana Alvarado, a analista da DBRS que há duas semanas disse ao Observador que “a perspetiva estável parte de um pressuposto de que a prudência orçamental será mantida”. Se esse pressuposto for demasiado otimista, ficou claro, nada impede que a DBRS venha a cortar o rating de Portugal mesmo que não sinalize isso, previamente, com uma passagem para perspetiva negativa.

Tipicamente, uma perspetiva negativa sinaliza uma maior probabilidade de um corte algum tempo depois. E é nesse resultado que aposta o Société Générale, numa retirada do outlook estável que a DBRS atribui ao rating de Portugal, que está no nível mais baixo fora de lixo. Já o Royal Bank of Scotland aposta que nada vai mexer.

“A incerteza política e a volatilidade no mercado não parece ser suficiente para justificar qualquer tipo de alteração”, dizem os analistas do Royal Bank of Scotland em nota de análise enviada aos clientes esta manhã. “Para colocar as coisas em perspetiva, Portugal tinha o mesmo rating [que tem agora, BBB-] quando a taxa de juro estava em 17% e o país teve de pedir um resgate. Um outlook negativo foi introduzido em maio de 2012 e retirado em dezembro de 2012″, recorda o Royal Bank of Scotland.

Em antecipação à decisão da DBRS na sexta-feira, leia mais sobre a importância da DBRS e sobre as implicações desta questão no Especial escrito pelo Observador no final de outubro, que inclui a entrevista à analista Adriana Alvarado.