O governo grego, liderado pelo partido Syriza, está a tentar conter os danos do escândalo que rebentou no início desta semana e no qual um ex-ministro do partido acusa membros do Syriza de o ameaçarem de morte e de serem próximos de pessoas com ligações a grupos terroristas e que estão na cadeia.

A principal linha de argumentação do Syriza, que questiona as alegações de Yiannis Panousis, passa por perguntar porque é que Panousis só agora está a fazer estas acusações, já que as alegações remontam a abril, e porque é que não tomou medidas na altura, enquanto era ministro da Proteção dos Cidadãos.

Panousis, professor de Direito Penal, esteve no início da semana com o procurador junto do Supremo Tribunal para lhe entregar toda a documentação que demonstrará que dois deputados e um membro do Comité Central do partido governamental Syriza, que diz estarem “ligados a terroristas”, o ameaçaram de morte.

Em declarações à imprensa após o encontro com o procurador, Panousis afirmou que nos documentos entregues estão os nomes das pessoas em questão. Segundo o ex-ministro-adjunto, as ameaças estão relacionadas com a legislação sobre a duração das penas de prisão para os terroristas.

Panousis explicou ao diário Ta Nea que as referidas pessoas o responsabilizaram pelo facto de o governo não ter cumprido uma série de promessas feitas a três terroristas presos quando foi alterada a lei sobre as condições das prisões.

“Mataremos Panousis”

Os serviços secretos têm gravações telefónicas com as pessoas em causa a dizerem “mataremos Panousis”, afirmou o ex-governante ao mesmo jornal, adiantando terem sido aqueles serviços que informaram Tsipras sobre a questão.

Segundo o jornal grego MacroPolis, um representante do secretariado político do Syriza que é visado pelas acusações – Panos Lambrou – rejeita todas as acusações. O responsável explica que, como defensor dos direitos dos cidadãos presos, que tinha vários contactos com cidadãos que estão detidos.

O caso foi revelado por Panousis no fim de semana numa entrevista ao jornal Proto Thema, após o que o gabinete do primeiro-ministro pediu que apresentasse as provas às autoridades judiciais, considerando tratar-se de um assunto “demasiado sério” para divulgar através dos meios de comunicação social.