Inovação

Inovar para vencer. E exportar mais de 80% da produção

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A Palbit e a Tekever venceram a edição de 2015 do prémio PME Inovação Cotec,o galardão que pretende distinguir as empresas que se destacaram no ano pelo seu cariz inovador. Das ferramentas aos drones.

O grupo Tekever tem apostado em várias parcerias com as Forças Armadas

Exporta mais de 85% do que produz e viu o volume de negócios crescer 50% nos últimos três anos. Todos os anos, o grupo Tekever reserva cerca de cinco milhões de euros para apostar em Investigação & Desenvolvimento (I&D) e, este ano, o investimento chegou ao pódio da Cotec Portugal – Associação Empresarial para a Inovação. Juntamente com a Palbit, o grupo venceu o prémio PME Inovação COTEC, que visa distinguir as pequenas ou médias empresas que se tenham destacado no panorama nacional pelo seu cariz inovador.

Tekever e os 30 milhões em I&D sob gestão

Nasceu pelas mãos de um grupo de ex-alunos do Instituto Superior Técnico, em 2001, com o objetivo de desenvolver uma plataforma própria que integra tecnologias de mobilidade e de inteligência artificial para gerir fluxos de trabalho. Hoje, o grupo Tekever está em duas grandes áreas – a de tecnologias de informação e a divisão aeroespacial, de defesa e segurança. É esta equipa que é responsável pelo desenvolvimento do sistema mobile da EDP, o terceiro maior da Europa, e pela aplicação Mobizy, distinguida nos prémios World Summit Award, atribuídos pelas Nações Unidas, como a melhor app de negócios em 2015.

O que fazemos de diferente? Provavelmente, fazemos aquilo que costumamos dizer e, se calhar, é essa a diferença. A Tekever é um grupo, mas todas as nossas empresas são focadas no produto, em produtos de grande intensidade tecnológica. A grande diferença é que o nosso processo de desenvolvimento de produto começa com trabalho em investigação e desenvolvimento de tecnologia base, muito em parceria com universidades e institutos internacionais. Depois, ‘produtizamos’ essa tecnologia e levamo-la para o mercado. E quando se faz isto bem, vêem-se os resultados. Eu diria que a chave é fazer isto bem”, explicou ao Observador Ricardo Mendes, administrador da Tekever.

A Tekever é a empresa que está por detrás dos aviões não tripulados (drones) que vão ser utilizados para vigilância marítima dos países da União Europeia no Atlântico Norte e Mediterrâneo, no âmbito de um consórcio criado pela Agência Europeia de Segurança Marítima e pela Agência Espacial Europeia. Além disso, o grupo – que é composto por sete empresas – tem estado a apostar no setor das telecomunicações espaciais e na produção de nano e microssatélites. Emprega 120 colaboradores e tem subsidiárias no Reino Unido, Estados Unidos, Brasil e China.

Acho que esta distinção teve muito a ver com três fatores. Um é a cultura do grupo. De facto, todas as empresas têm este tipo de processos, que são bastante valorizados. Depois, contribuiu o facto de estarmos a trabalhar em tecnologia de ponta. Somos um dos principais agentes do mercado internacional de drones, estamos a fazer o primeiro satélite só com tecnologia portuguesa. E o terceiro ponto a favor é que conseguimos ter bons resultados com este foco na tecnologia. Temos um desempenho muito bom do ponto de vista financeiro. E isso também pesou”, acrescentou Ricardo Mendes.

As estimativas para este ano apontam para que o grupo volte a crescer na casa dos dois dígitos. A Tekever tem apostado em diversas parcerias de desenvolvimento tecnológico com entidades como o Exército, a Marinha, a Guarda Nacional Republicana ou a Polícia de Segurança Pública. Exemplo: um dos drones do grupo foi testado no Kosovo, numa missão real da NATO, que terminou em outubro. Recentemente, a empresa apresentou um novo projeto, o Brainflight, que permite controlar drones com a mente.

Ricardo Mendes explica que o processo não é fácil. Pelo meio, há obstáculos que têm de ser ultrapassados. E o financiamento (ou falta dele) é o primeiro. “Contar com fundos internacionais é importante, mas obviamente que Portugal tem fundos bastante limitados. Por vezes, é difícil fazer I&D já com algum volume a partir de Portugal, porque os fundos estão bastante dispersos”, disse. De qualquer forma, o mercado português tem servido como teste para a empresa. Transformaram a dificuldade em mais-valia.

O nosso mercado é um mercado pequeno, o que é uma dificuldade, porque não pode ser o nosso mercado base. Por outro lado, é uma vantagem. Utilizamos Portugal como laboratório para testar os nossos produtos. É isso que fazemos, por exemplo, na área dos drones”, explicou.

Com cerca de 30 milhões de euros em I&D sob gestão, o grupo Tekever tem vindo a crescer sem recorrer a financiamento externo. “Há pouco dinheiro em Portugal para investimento. Por outro lado, tem grandes vantagens: tem muito talento, escolas fantásticas, condições excelentes ao nível de segurança, de visa. E isso é importante para reter pessoas com grande qualidade”, adiantou Ricardo Mendes.

Palbit e as ferramentas de corte que voam para mais de 50 países

O outro exemplo líder de inovação é a Palbit, que atua no desenvolvimento, produção e comercialização de ferramentas industriais de elevada performance, executadas, por sua vez, em metal duro e aço. Apesar de ser recente – nasceu em 2004 – tem raízes no início do século XX, quando em 1916 assegurava a concessão da exploração das Minas de Galena do Palhal, no concelho de Albergaria-a-Velha.

Vinte e cinco anos depois, a empresa foi adquirida pelo grupo Sapec e, em 1952, passou a produzir peças e ferramentas de corte. Hoje, atua em três áreas de negócio (ferramentas de corte, anti desgaste e ferramentas para pedreiras), está presente em cinco continentes e exporta mais de 80% daquilo que produz para mais de 50 países. O enfoque está, sobretudo, no mercado europeu.

Com 93% do capital da empresa em mãos de acionistas portugueses e 7% nas mãos de um acionista sueco, a produção de ferramentas de corte gera 80% do volume de negócio da Palbit, que em 2014 registou um volume de negócios de cerca de 11,9 milhões de euros.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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