Na época do ano que mais se come e mais se bebe, saber que a cerveja tem benefícios para certos órgãos não poderia vir em melhor altura. Se já é ponto assente que um copo de vinho tinto tem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, reduz o colesterol e estimula o aumento de bactérias boas nos intestinos, agora chegou a vez de enaltecer os benefícios da cerveja. A chave é, claro está, bebê-la com moderação.

Já em 2010, um estudo publicado no Alcoholism: Clinical and Experimental Research concluiu que quem bebe moderadamente vive mais tempo do que quem se abstém de beber. O estudo acompanhou 1.884 participantes com idades entre os 55 e os 65 anos durante 20 anos e presenciou a morte de 69% por cento dos abstémios, contra 41% dos participantes que bebiam com moderação. Apesar de a correlação estar lá, isso não significa que o álcool seja necessariamente a razão para uma esperança média de vida superior. Como escreveu a Wired na altura em que o estudo foi publicado, é preciso ter em conta a cultura por trás do consumo de álcool, não só porque historicamente ele é um método de relaxamento mas também porque é frequente fazê-lo entre amigos. Socializar regularmente já se provou ser benéfico e estar ligado a uma vida mais duradoura, pelo que a equação amigos + álcool acaba por ser uma junção de vantagens.

Ou seja, beber mais cerveja pode não ser a resposta para uma saúde de ferro, mas alguns dos seus benefícios podem ajudar a almejá-la. A Bustle reuniu os órgãos que saem beneficiados desse consumo através de vários estudos, dos quais destacamos sete:

  • Cérebro — As mulheres mais velhas que bebem cerveja têm menos probabilidades de desenvolver demência do que as que não bebem;
  • Coração — Cerca de uma caneca de cerveja por dia reduz o risco de problemas cardíacos em 31%;
  • Pulmões — Quem bebe moderadamente tem menos probabilidade de desenvolver quadros de asma do que quem não bebe;
  • Ossos — As mulheres que apostam na cerveja têm uma maior densidade óssea do que as que não bebem ou que optam por beber outras bebidas alcoólicas;
  • Rins — Uma cerveja por dia ajuda a reduzir o risco de vir a ter pedras nos rins em 41%;
  • Pâncreas — Beber moderadamente diminui o risco de ter diabetes do tipo 2 em 30%;
  • Estômago — Três canecas de cerveja por semana podem ajudar a proteger o seu estômago de úlceras causadas pelo H.pylori (uma bactéria que vive no estômago e no duodeno e que é responsável pela infeção bacteriana mais comum no ser humano).

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De onde vêm tantos benefícios?

De acordo com o Fix.com, a cerveja contém nutrientes essenciais, não fosse feita, essencialmente, de grãos integrais fermentados, ervas, levedura e água, para além de ter o mesmo número de antioxidantes e mais proteínas e vitamina B do que o vinho, ou ainda magnésio, selénio, potássio, fósforo e biotina.

Como se não fosse suficiente, a cerveja tem ainda quantidades generosas de silício, um mineral considerado essencial para a saúde dos ossos e dos tecidos (e que, regra geral, está mais presente no organismo dos homens do que no das mulheres, que só o conseguem através da ingestão de bananas ou feijão verde, sendo que o silício presente nas bananas não é bem assimilado pelo corpo).

Quando ingerido em quantidades moderadas — e por moderado entenda-se um copo por dia no caso das mulheres e dois no caso dos homens — o álcool é considerado benéfico para o coração, bem como para o aumento do colesterol bom, graças aos polifenóis, que possuem características antioxidantes, anticancerígenas, anti-inflamatórias e antivirais. Contudo, as variedades de cerveja que contêm mais álcool podem ser uma fonte de calorias, daí serem as culpadas pelo aparecimento da tão afamada “barriga de cerveja”. Mas nem tudo está perdido: 47 estudos dizem não haver provas científicas que relacionem a ingestão moderada de cerveja com a obesidade abdominal.

Embora haja alguma controvérsia quanto à fiabilidade dos resultados das investigações, que alguns médicos acusam de serem pagos pela indústria do álcool, num ponto todos os estudos estão de acordo: beber em excesso não é saudável, de todo, e os supostos benefícios para o coração e para os ossos desaparecem quando o álcool ingerido anda nos oito corpos diários para as mulheres e nos 15 para os homens.