O Parlamento da Dinamarca deverá aprovar esta quarta-feira medidas para confiscar bens e objetos de valor aos refugiados para cobrir as despesas do seu asilo no país, conta a Euronews.

Fora da equação estarão objetos com valor sentimental e tidos como essenciais, nomeadamente anéis de casamento ou relógios, por exemplo. Segundo o Guardian, as Nações Unidas já expressaram reticências quanto ao processo, defendendo que tais medidas poderão funcionar como gasolina na fogueira, promovendo o medo e a xenofobia.

O porta-voz do Governo dinamarquês, informa o Guardian, explicou também que a nova lei declara que aqueles que chegam ao país com mais de 10.000 krones (1.340 euros) “terão de usar esse excedente para pagar a sua estadia”. Marcus Knuth reagiu também às críticas que metem no mesmo saco a nova lei e o tratamento dado aos judeus durante o Holocausto, classificando-as de “ridículas”. E esclareceu: “Estamos simplesmente a aplicar as mesmas regras que aplicamos aos cidadãos dinamarqueses que querem o dinheiro do Governo dinamarquês.” Um jornal daquele país até publicou um quiz no qual desafiava os leitores a adivinharem o valor de anéis, conta o Financial Times.

Lars Løkke Rasmussen, o primeiro-ministro da Dinamarca, já afirmara, em dezembro, que teriam de haver mudanças caso a situação dos refugiados continuasse a escalar. “Se isto [fluxo de refugiados] continua ou piora, tem de chegar uma altura em que temos de falar sobre mudar as regras do jogo. (…) E a Dinamarca não o pode fazer sozinha”, disse na televisão dinamarquesa, citado pelo Guardian.

Em junho, a Dinamarca deu uma guinada da esquerda para a direita, numas eleições que retiraram do poder Helle Thorning-Schmidt. O Governo dinamarquês resultou de uma equação curiosa, pois quem o lidera nem foi a força de direita mais votada. Os liberais do Venstre de Rasmussen obtiveram apenas 34 dos 179 lugares no Parlamento. A maioria do “bloco azul” (direita) chegou com um acordo a quatro, sendo que o Partido Popular Dinamarquês, uma formação anti-imigração, foi chave para o processo ao garantir 21,2% dos votos da eleição, contribuindo para a maioria de 90 deputados.