“Nós temos bem a noção da realidade, não entramos aqui em nenhum delírio como alguns parecem pensar.” A afirmação foi proferida por Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Segurança Social, esta quarta-feira em entrevista à SIC Notícias.

O ministro repetente na pasta da Segurança Social, reforçou que a manutenção do défice abaixo dos 3% — uma exigência da União Europeia — é um compromisso do Governo que vai beneficiar o seu ministério.

“É algo que consideramos extremamente importante para podermos alargar a margem de manobra das políticas públicas quer no domínio económico, quer no domínio social”, disse.

No entanto, Vieira da Silva considerou também que “talvez a União Europeia pudesse ter uma visão um pouco mais sensível dos desafios que está a viver”, porque na sua opinião “há questões bem mais pesadas e bem mais exigentes para o futuro da União Europeia do que a diferença de uma décima ou duas décimas no défice de um país que está empenhado em reduzir o seu desequilíbrio.”

Segundo o ministro, “criou-se a ideia de que o corte na despesa do Estado era algo sempre virtuoso”. Mas, essa não deve ser deve ser a única preocupação do governo porque “alguns cortes na despesa pública provocaram um nível de contração na economia que ultrapassou todas as previsões”.

As mudanças que estão a ser feitas “com prudência”,”sem radicalismos”, porque “essa ideia de que, de repente, há dinheiro para tudo, é uma ideia que não corresponde exatamente à realidade dos factos”, acrescentou Vieira da Silva.

Em relação ao Orçamento do Estado, Vieira da Silva afirmou que ainda não está fechado porque  a “discussão do orçamento é sempre um momento complexo”.

Sobre o aviso dos comunistas de que os compromissos com a UE não podem pôr em causa os acordos com o PS, afirmou que “a posição do PCP foi esclarecida dentro deste processo político.”

“Sabemos bem com o que é que contamos com o PCP”, embora face à política europeia “não tenhamos exatamente o mesmo entendimento”, acrescentou o ministro do Trabalho e da Segurança.

Vieira da Silva vê “com naturalidade o debate com a União Europeia” e quando interrogado sobre o relatório do Commerzbank que diz que Portugal arrisca ver-se na mesma situação da Grécia, “não serei eu dizer que Portugal não é a Grécia e a Grécia não é Portugal.”